A Caixa estuda retomar a venda de créditos inadimplentes quase cinco anos depois de decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que suspendeu sua atuação nesse mercado. O banco vem sondando o apetite de gestoras especializadas nesses ativos, apurou o Valor com duas fontes.

Não está definido o tamanho da venda. Se ela ocorrer, será feita em fases e abrangerá principalmente créditos sem garantia e já baixados para prejuízo. Movimentos desse tipo são praxe entre os bancos. As instituições financeiras costumam vender carteiras de varejo antigas e consideradas de difícil recuperação para empresas especializadas.

A volta da Caixa ao mercado é aguardada por gestores que atuam na compra de carteiras de créditos podres, um segmento que viveu um 2020 morno por causa da pandemia. Poucas carteiras foram para a rua no ano passado diante dos programas de prorrogação de parcelas adotados pelos bancos e por varejistas. Alguns vendedores também represaram suas operações enquanto concentravam esforços na gestão da crise.

A Caixa também planeja anunciar um processo para a venda de imóveis retomados em caso de inadimplência, disse ontem o presidente do banco, Pedro Guimarães, em evento on-line do Credit Suisse para investidores. O executivo, porém, não apresentou detalhes. No fim de setembro, a instituição tinha R$ 5,864 bilhões em bens não de uso, constituídos principalmente por imóveis retomados, já descontadas as provisões relativas à desvalorização dos empreendimentos.

No evento, Guimarães disse ainda que espera crescimento de mais 15% no crédito imobiliário em 2021, depois de a modalidade já ter avançado em volume recorde no ano passado. De acordo com ele, a linha cresceu 40% em janeiro na comparação de 12 meses.

Crédito imobiliário e consignado são algumas das linhas em que a Caixa pretende se concentrar. “A gente tem de focar onde tem vantagem competitiva”, disse.

O executivo afirmou também que o banco pretende retomar os pagamentos de instrumentos híbridos de capital e dívida (IHCD) neste ano, com a devolução de mais R$ 10 bilhões. Em 2020, a pandemia congelou esse processo.

Guimarães reiterou que a Caixa tem cinco IPOs no radar: das áreas de seguridade, cartões, gestão de recursos, banco digital e loterias. Este último, lembrou, não depende apenas de vontade do banco. De acordo com o executivo, as aberturas de capital são um legado que pretende deixar na instituição, já que a presença de minoritários tende a reforçar a governança.

No caso da Caixa Seguridade, operação que está em fase mais avançada, Guimarães disse já ter demanda suficiente para cobrir duas vezes a oferta, “dependendo do preço”. No fim da semana passada, a Caixa também retomou o processo de seleção de um parceiro de adquirência, uma das etapas de preparação para o IPO da Caixa Cartões.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Talita Moreira — De São Paulo, 27/01/2021