Enquanto o Banco Central brasileiro começa a preparar o terreno para uma alta de juros, a maior parte de seus pares emergentes ainda está distante desse movimento. Alguns até debatem a possibilidade de promover cortes adicionais em suas taxas, caso de África do Sul, México e Rússia.
Ontem os bancos centrais de Turquia, África do Sul e Indonésia divulgaram as suas decisões de política monetária, e todos eles mantiveram as suas taxas de referência. No caso da África do Sul, a decisão aconteceu com um placar bastante dividido: três votos a favor da manutenção dos juros, de 3,5%, e dois a favor de mais um corte, com o comitê de política monetária do país apontando que a lenta recuperação econômica deve manter a inflação abaixo da meta até 2022. A leitura mais recente de inflação no país é de 3,1%, em dezembro.
O BC da Indonésia foi mais neutro na linguagem usada no comunicado, dizendo que a decisão de manter os juros em 3,75% se baseou na expectativa moderada para a inflação. A leitura mais recente de inflação no país foi de 1,7% em dezembro. O PIB da maior economia do sudeste asiático sofreu contração de 3,49% no terceiro trimestre de 2020, mas o presidente do BC espera que a economia tenha terminado o ano com contração de 1,0% a 2,0% e volte a crescer em 2021, algo entre 4,8% a 5,8%.
Outros bancos centrais de economias emergentes vêm indicando uma postura de neutra a mais favorável para cortes. O Banco do México também teve uma votação dividida na sua última reunião, de dezembro, com três dos integrantes do comitê de política monetária votando a favor de mais uma redução da taxa básica de juros. O Banxico decidiu manter a sua taxa de referência em 4,25%, com a inflação em 3,15% em dezembro.
Já o BC do Chile apontou também em dezembro que algumas leituras importantes, como o seu índice de atividade Imacec, assim com a inflação ao consumidor, ficaram abaixo das expectativas, e decidiu manter a sua taxa de juros de referência em 0,5%.
O BC da Rússia manteve a sua taxa básica de juros estável em 4,25% na reunião mais recente, de dezembro. E, de acordo com o comunicado, os integrantes do comitê de política monetária discutiram “a existência do potencial para uma redução adicional da taxa de referência”.
A Turquia, por sua vez, tem sido o ponto fora da curva entre as economias emergentes, começando a elevar a sua taxa de juros de referência já em setembro do ano passado, mesmo com a economia do país sendo castigada pela pandemia. Apesar de uma contração de 10,8% do PIB no segundo trimestre do ano passado, o BC turco elevou a sua taxa de referência em 8,75 pontos percentuais nas quatro reuniões de política monetária entre setembro e dezembro do ano passado, para 17% em dezembro, em tentativa de conter a disparada da inflação e a queda da lira.
A inflação na Turquia não ficou abaixo dos 10% ao ano em nenhum mês de 2020, e subiu a 14,6% em dezembro do ano passado, mesmo com a elevação acentuada da taxa de juros no país.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por André Mizutani — De São Paulo, 22/01/2021

