A decisão de manutenção da Selic em 2% já era esperada pelos analistas, porém, isso não significa que nada muda para o investidor. É preciso lembrar que as decisões de investimentos devem ser tomadas com base no que deve acontecer com os juros daqui para frente, e não com base na Selic atual. E o cenário está mais turvo agora do que na última reunião do Copom, no início de dezembro.
No comunicado em que explicou a decisão, o Copom derrubou a indicação de que a taxa ficará estável por muito tempo, o chamado “forward guidance”, em vigor desde agosto passado. Em tese, a leitura da exclusão deste compromisso de manutenção da Selic indicaria uma potencial alta na taxa no curto prazo. Mas os diretores do Banco Central fizeram questão de dizer que “isso não implica mecanicamente alta de juros”.
O ponto médio das expectativas do mercado aponta para a taxa básica de juros em 3,25% ao ano no fim de 2021, segundo o último Boletim Focus. E é com base nesta premissa, de que a taxa chegue lá na virada do ano, que o Copom vê as projeções de inflação em torno da meta deste ano e do próximo. Mas vale notar que, nas últimas semanas, aumentou a divergência entre os analistas sobre quando os juros vão começar a subir, e por qual motivo.
Diante desses dois cenários possíveis, um de alta da Selic mais rápida e outro de aumento de juros mais devagar, daqui para frente, é preciso ficar atento aos comunicados do BC e às notícias relacionadas à inflação e à dívida do governo.
Se o cenário começar a piorar, haverá menos chance do Ibovespa, principal índice de referência da bolsa brasileira, continuar subindo, segundo Felipe Sichel, estrategista-chefe do Modalmais. Nesse caso, quando tiver um prejuízo, o investidor precisa tentar não entrar em pânico, nem resgatar sem pensar.
Nesse cenário de mais estresse, também podem surgir boas oportunidades de compra no Tesouro Direto, como aconteceu em 2020. Se aumentar a expectativa do mercado de alta de juros, os investidores passarão a exigir retornos maiores para comprar títulos públicos novos, sejam eles atrelados à inflação ou prefixados, principalmente de prazos de vencimentos mais longos. Assim, o Tesouro pode oferecer taxas mais altas.
Mas esse é um cenário hipotético, que ainda não aconteceu. “Temos que esperar, faltam esclarecimentos”, afirma Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos. “Precisamos ter mais respostas para tomar decisões.”
Por enquanto, as taxas oferecidas no Tesouro Direto não chamam a atenção de Carvalho, a não ser as de longuíssimo prazo dos títulos atrelados à inflação, em que o investidor pode ganhar também com a alta do IPCA. No ano passado, os juros oferecidos tinham subido muito e depois sofreram uma correção. No entanto, isso não significa que o Tesouro Direto tenha deixado de ser um bom investimento. O importante é escolher o tipo de título e o prazo de vencimento de acordo com os objetivos e o perfil do investidor.
O analista vê oportunidades em CDBs prefixados, emitidos por bancos médios e pequenos, com liquidez no vencimento. “CDBs com prazo de vencimento de dois a três anos, pagando de 6% a 7% ao ano, são alternativas boas”, diz. Porém, ele não recomenda investir em CDBs prefixados de prazos acima disso, porque é muito difícil precisar o que vai acontecer com a Selic. Há chance dela subir acima dessas taxas e o investidor ficar preso num título que paga menos do que a taxa básica de juros.
Vale lembrar que só vale a pena investir em títulos prefixados com liquidez no vencimento se o objetivo do investidor para aquele dinheiro casar com o prazo do investimento.
Confira a reportagem completa no site www.valorinveste.com
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Júlia Lewgoy — De São Paulo, 21/01/2021

