O Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo está empenhado em combater um crime que vem preocupando o setor: o de lavagem de dinheiro no mercado imobiliário. Caso recente na Capital Paulista reacendeu a discussão em torno do problema e uma das prioridades, agora, é alertar corretores e imobiliárias.
A informação foi prestada pelo presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, que participou nessa sexta-feira (15) do encontro com representantes do Conselho de 57 cidades da região, ocorrido na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). “Se alguém tem uma atitude suspeita, o corretor é obrigado a comunicar o conselho de controle de atividade financeira”, diz.
Ele alerta para os indícios de fraude, destacando que em Bauru ainda não há nenhum caso identificado. “Quando a pessoa paga em dinheiro ou manda fazer a escritura com valor inferior ao que está pagando; Alguém que vai comprar um imóvel e o coloca em nome de terceiros; quando o pagamento é feito de forma fracionada, com cheques de várias emissões”, enumera.
Viana acrescenta que são suspeitas também as transações realizadas mediante negociata com objetos de valor. “No caso de oferecer joias, barcos, automóveis como pagamento. Não quer dizer que isso tudo signifique irregularidade, mas é suspeito e o mercado é obrigado a comunicar. O objetivo é evitar que o imóvel seja usado para lavagem de dinheiro”, reforça Viana.
O problema ganhou mais atenção quando, recentemente, um investidor que exerce cargo comissionado na Prefeitura de São Paulo foi acusado de corrupção. “Ele tem mais de 100 imóveis que adquiriu de algumas imobiliárias e apresentou atitudes suspeitas, perceptíveis no momento da aquisição, segundo dados divulgados pelo Ministério Público (MP)”, enfatiza o presidente do Creci-SP.
“No entanto, era obrigação das imobiliárias comunicar sobre a possível fraude. Esse é outro motivo para o alerta aos corretores, pois as empresas que não comunicam ficam sujeitas a uma sindicância administrativa. E a denúncia é muito importante para maior eficácia no combate ao crime de lavagem de dinheiro no mercado imobiliário”, atesta.
Terrorismo
O presidente do Cresci-SP explica que a lei contra a lavagem de dinheiro é resultado de um acordo internacional que o Brasil assinou, em 1995, em que todos os países tiveram que ter um texto único.
“O país que não toma essas medidas, fica com pontuação baixa no ranking geral, o que impede investimento financeiro naquele país”, explica.
Viana observa que o governo brasileiro ainda não votou a Lei Antiterrorismo, que visa cumprir todos os acordos em que diz respeito à lavagem de dinheiro.
“Há suspeita de que, no Brasil, a prática do crime esteja ligada ao terrorismo internacional. Por isso o esforço de impedir que o traficante de arma ou até políticos corruptos, por exemplo, utilizem esse dinheiro”, finaliza José Augusto Viana Neto.
‘Não é o momento de especular imóveis’, afirma
José Augusto Viana Neto criticou os investidores que utilizam imóvel como “artigo financeiro”. “Não é o momento de especular imóveis, ou seja, comprá-los esperando que a avenida seja alargada, que o local de sua localização seja valorizado por algum empreendimento, para só depois vendê-lo com mais lucro”.
Isso porque, no entender do Cresi-SP, “segurar” um imóvel reflete de forma negativa para a população. “Isso é muito ruim, porque impede o crescimento da cidade e o ato de especulação do proprietário contribui também para inflacionar o mercado”, explica, destacando que, se o imóvel não for usado para este fim, seu preço torna-se mais acessível à compra.
“O que aconteceu com a supervalorização nos últimos anos? Valorizou de tal forma que começou a não ter mais cliente para comprar, porque ninguém tinha condição de atender a renda familiar que o banco exige. O que adianta? É o mesmo que matar a galinha dos ovos de ouro, porque dificulta para a população e provoca queda no mercado de trabalho”, aponta.
“Então, o imóvel tem que ter um equilíbrio muito grande. Quem ganha dinheiro com imóvel tem que dividir com o Estado, para que esse dinheiro volte para a população de alguma forma. Não tem como especular e ficar ganhando dinheiro. A prefeitura faz uma avenida com contribuição do povo e quem vai ganhar é só o dono do terreno?”, critica.
No entanto, Viana diz que, em razão do arrefecimento econômico no País, a tendência para 2016 é que os imóveis estejam com preço inferior ao ano passado. “Por conta disso, ainda vale a pena investir no setor da construção civil”.
Fonte: APeMEC, 18/01/2016

