A atividade econômica medida pelo Banco Central deve ter ficadocpraticamente estável nac passagem de outubro para novembro, o que não significa que o quarto trimestre terá crescimento ou ficará no mesmo nível do terceiro trimestre.

De acordo com a estimativa média de 23 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice de Atividade Econômica (IBCBr) cresceu 0,01% em novembro na comparação com outubro, feitos ajustes sazonais. O intervalo das estimativas vai de queda de 0,3% até alta de 0,24%.

Se confirmado, o resultado interromperá sequência de quatro meses de retração ­ a última, de outubro, foi de 0,48%. O  indicador, que será divulgado hoje, é medido com base no desempenho dos principais setores da economia. Em novembro, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) cresceu 0,2% na comparação com o mês anterior, abaixo do esperado pelo mercado. Por outro lado, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou alta de 2%, impulsionada pela Black Friday. Já a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apontou crescimento de 0,1% no setor, conforme divulgado ontem.

Na avaliação de economistas, os resultados positivos foram pontuais e devem apresentar queda ou crescimento pouco expressivo em dezembro. A tendência a respeito do comércio, por exemplo, é que as promoções de novembro tenham feito as famílias anteciparem as compras de Natal, o que
deve causar queda da PMC de dezembro. 

Dessa maneira, caso seja confirmada, a estabilidade do IBC­Br de novembro não pode ser vista como 
um fator positivo, mesmo depois de quatro meses de retração. "Tudo indica que o quarto trimestre vai ser mais uma vez negativo para a atividade ", diz Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores. Ele calcula retração de 0,5% do PIB no último trimestre do ano passado, em relação ao
terceiro. Para o IBC­Br, a estimativa da LCA é de queda de 0,1% em novembro, a mesma da equipe econômica do Santander.

"O balanço de riscos referente à atividade econômica continua se deteriorando, o que aumenta as dúvidas do mercado acerca da capacidade da economia local em reverter o quadro recessivo no início de 2017", dizem os economistas do banco em relatório. "A recuperação da atividade ocorrerá de maneira bastante lenta ao longo deste ano, mostrando sinais mais consistentes apenas no segundo semestre." 

Para dezembro, o economista Marco Caruso, do banco Pine ­ que projeta queda de 0,3% para o indicador em novembro ­ espera mais um resultado ruim para o índice do BC. A indústria deve ter um desempenho melhor, ele avalia, destacando os dados positivos do setor automotivo divulgados na
semana passada pela Anfavea. A tendência, entretanto, é que o comércio devolva boa parte do crescimento observado no mês anterior, por que as vendas de Natal decepcionaram o varejo.

Diante da sequência de surpresas negativas trazidas por alguns indicadores em outubro e novembro, a projeção da instituição para o PIB no quarto trimestre encolheu de algo entre zero e queda 0,5% em outubro para retração de 0,7%.

Já Rafael Leão, economista­chefe da Parallaxis, espera alta de 0,2% do IBCBr em novembro. "Com a estabilidade da indústria e a surpresa do varejo, a tendência é que haja um crescimento na margem do indicador", diz. 

Fonte: Valor - Brasil, por Estevão Taiar e Camilla Veras Mota, 13/01/2017