O setor de serviços reverteu o sinal após cair três meses seguidos, mas a pequena alta de 0,1% em novembro de 2016 ainda não indica que o pior momento da atividade já passou. A atividade está 4,6% abaixo do registrado em novembro de 2015, com queda generalizada entre os setores e espalhada entre 26 das 27 unidades da federação, de acordo com dados do IBGE.
Já são 20 meses seguidos de retração nesse tipo de comparação, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Para 2017, o cenário é melhor, principalmente a partir do segundo semestre. A inflação entrou em trajetória de queda, com projeções rumo ao centro da meta e o Banco Central acelerou o corte na taxa básica de juros, disse Silvio Sales, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar disso, considera que a recuperação da atividade deve ser lenta.
Há outros fatores que poderiam influenciar na melhora do comportamento de serviços em 2017. O comportamento da agropecuária deve segurar os preços de alimentos e ajudar o setor de serviços em transportes, que despencou 7,9% em novembro, ante igual mês de 2015 foi a vigésima consecutiva.
Enquanto indústria e mercado de trabalho não se recuperarem de forma consistente, a atividade vai continuar em crise, afirma Roberto Saldanha, analista do IBGE e responsável pela PMS. "O setor de serviços vai a reboque disso tudo, mas temos que observar se será um movimento constante nos
próximos meses", afirmou. Nos 11 meses de 2016, o volume de serviços prestados caiu 5%. Em 2015 a atividade fechou em retração de 3,6% e já havia sido o pior resultado desde o início da série histórica.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê que 2017 será melhor para o setor de serviços. O relativo otimismo vem da "evolução da confiança dos empresários do setor, a aceleração no corte de juros aos consumidores e empresários e o fechamento menos intenso de vagas no mercado de trabalho, inclusive no setor de serviços, na avaliação da entidade, deverão fazer de 2017 um ano mais favorável para o segmento".
Uma das perdas mais importantes, e que reflete o atual cenário deteriorado, ocorre no setor de serviços técnicoprofissionais, que desde maio de 2016 apresenta tombos acima de dois dígitos e caiu 14,3% em novembro, ante igual mês do ano anterior. Esse segmento representa 5,8% dos serviços e
reforça o panorama de crise entre empresas e governos, que deixaram para depois novos projetos.
"Os serviços técnico profissionais apresentam queda por causa da total falta de investimento", afirmou Saldanha. "Se as empresas não estão investindo não há projetos de engenharia, por exemplo. Isso está afetando muito esse segmento, item que depende muito da recuperação das empresas, da retomada dos investimentos."
-Os serviços profissionais, administrativos e complementares, que incluem a contratação de terceirizados para trabalhos menos complexos, como limpeza e segurança, caíram 3,6% são 20 resultados negativos em sequência.
Fonte: Valor - Brasil, por Robson Sales, 13/01/2017

