A prefeitura de São Paulo adiou para 3 de fevereiro a data para entrega e abertura dos envelopes dos interessados na parceria públicoprivada (PPP) para modernização da infraestrutura da rede de iluminação pública do município.
Segundo comunicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo publicado ontem, a data foi adiada "tendo em vista os diversos pedidos de prorrogação de prazo formulados". O Valor apurou que os pedidos refletiram uma mudança no edital da licitação, que aumentou os riscos relacionados ao negócio e, consequentemente, os custos de financiamento.
O edital da licitação previa, antes da análise realizada no ano passado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), a xistência de uma conta vinculada para a qual seriam transferidos os recursos das taxas municipais de iluminação pública. Seria dessa conta que a concessionária da PPP receberia os desembolsos de remuneração pelos serviços.
Depois da análise do TCM, porém, a existência dessa conta foi excluída do edital. Segundo uma carta enviada pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) ao prefeito Fernando Haddad, as alterações "trouxeram insegurança jurídica para o projeto". Além disso, aumentaram as exigências de garantia da futura concessionária, o que deve aumentar o custo dos empréstimos. O próprio BNDES alterou a estrutura de financiamento do projeto com as mudanças no edital, passando a pedir garantia por fiança bancária para todo o período do contrato.
Segundo fonte ligada à PPP, essas mudanças podem até mesmo inviabilizar o interesse das empresas na operação. "Há um grande risco de que a prefeitura gaste o dinheiro com outras coisas, resolva não pagar", disse outra fonte, que pediu para não ser identificada. A Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Iluminação Urbana (Abrasi) também enviou carta à prefeitura questionando a mudança. Para a entidade, a decisão torna o empreendimento "temerário face ao vultuoso valor estimado para investimento, cerca de R$ 1,5 bilhão em cinco anos".
Em nota, a americana GE, uma das cadastradas para participar da licitação, disse ter identificado no edital a ausência de qualquer garantia pública para a prestação dos serviços, "o que, para um contrato de longo prazo, pode constituir um problema". Segundo a companhia, a conta vinculada existente no edital anterior " prestaria esta garantia financeira aos licitantes, valorizando e beneficiando as empresas nacionais".
Outras empresas que tinham demonstrado interesse inicialmente eram Brookfield Serviços e Alumina Engenharia. A Philips, que está em consórcio com a AES Brasil, disse que ainda vai avaliar o adiamento da data. A ausência da garantia pública também foi destacada pela Abilux, que aponta que a extinção da conta vinculada pode afetar negativamente a atratividade do projeto. Para a Abilux, é essencial que o governo preste garantias para que as empresas tenham segurança jurídica possam viabilizar empréstimos a taxas competitivas.
A Abrasi, por sua vez, pediu a suspensão do edital e a alteração na decisão, para que as empresas interessadas possam viabilizar financiamentos com "custos exequíveis" e possam apresentar ofertas com segurança.
Fonte: APeMEC, 13/01/2016

