O setor de saneamento começa 2017 com algumas mudanças importantes na sua composição. A iniciativa privada, antes com o topo das maiores em população atendida dominada por brasileiros, passará a contar com uma canadense, a Brookfield, na sua composição. O aumento da participação de estrangeiros nesse mercado é previsto desde pelo menos o início da LavaJato, em meados de 2014, quando controladores das principais companhias se viram envolvidos em crises de reputação que levaram a necessidade de fazer caixa.
A Brookfield, por exemplo, ficou com a participação da Odebrecht na Odebrecht Ambiental, a maior negociação dentre os ativos colocados à venda no setor nos últimos anos. Um pouco antes, outra estrangeira, a GS Inima, já tinha aumentando seu portfólio no Brasil, inaugurando a temporada de compras após um longo período de ativos buscando novos donos, sem sucesso. A espanhola ficou com a Samar, concessão de água e esgoto de Araçatuba, que compunha, junto com
um contrato de PPP em Guarulhos, a OAS Soluções Ambientais, colocada à venda no processo de recuperação judicial da empreiteira.
Mesmo nesse topo, as posições sofreram algumas mudanças. O último relatório da consultoria GO Associados destaca que o mercado privado de saneamento atende cerca de 23 milhões de pessoas o que representa 11% da população do Brasil. Dentro dessa fatia, a Aegea foi a que mais se destacou,
passando dos 11% de participação que detinha em 2015 para 17% em 2016, deixando para trás a Águas do Brasil, que teve uma pequena redução, de 13% para 12%.
A Odebrecht Ambiental, apesar da queda, segue liderando com folga foi de 47% a 45% do mercado de um ano para outro. Em último nesse ranking está também um dos ativos ainda à venda no Brasil, a CAB Ambiental. Sua participação neste mercado caiu de 6% para 5%. Um dos ativos do grupo Galvão, a CAB Ambiental acaba de passar por um processo de reestruturação de sua dívida que envolve ainda uma mudança na estrutura acionária. Quando implementado, o processo prevê que a Galvão Participações deixe de ser acionista direto e passe a compor um fundo de investimentos em participações (FIP) controlado pelo braço de private equity da RK Partners, que vai converter parte de uma dívida em capital.
A Galvão segue, porém, procurando um interessado na sua participação, então via FIP. Dentre os possíveis compradores estão a própria Aegea e outras empresas estrangeiras citadas como possíveis interessadas, como a Suez e a Miya. O ano de 2017 também deve definir outra disputa entre Aegea e Águas do Brasil, que diz respeito ao maior contrato que veio ao mercado privado de saneamento na última década: a concessão de Teresina, capital do Piauí.
São investimentos de R$ 1,7 bilhão previstos ao longo de 30 anos de contrato, em um edital que ainda inclui pagamento de outorga mínima de R$ 88 milhões. A atribuição de nota técnica feita pela comissão julgadora foi questionada na Justiça pela Águas do Brasil e a decisão final é aguardada.
Fonte: Valor - Empresas, por Victória Mantoan, 04/01/2017

