O Índice de Confiança da Construção (ICST), da Fundação Getulio Vargas, subiu 0,1 ponto em dezembro para 93,9 pontos, e ficou acima do nível observado antes da pandemia. Em dezembro do ano passado, o indicador marcava 92,1 pontos.
“A confiança do setor da construção acomodou em dezembro em um nível superior ao de dezembro de 2019. Mas os sinais são mistos. O Indicador de Evolução Recente de Atividade cresceu, apesar de mais empresas terem assinado escassez e a aumento de custo das matérias-primas. Mas expectativas continuam se deteriorando e os empresários estão mais pessimistas do que estavam no ano passado. Além das incertezas do cenário econômico, esse pessimismo parece estar relacionado às dificuldades recentes das empresas”, observou Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV, em comentário no relatório.
Assim, considera-se que a confiança em dezembro ficou estável, pois a melhora na avaliação sobre o momento presente compensou a deterioração das expectativas dos empresários para os próximos seis meses.
O Índice de Situação Atual (ISA-CST) aumentou 0,9 ponto para 92,4 pontos, o maior valor desde agosto de 2014 (93,0 pontos). Os indicadores de situação atual dos negócios e carteira de contratos avançaram respectivamente 1,2 ponto e 0,6 ponto, para 94,8 pontos e 90,1 pontos.
Entretanto, o Índice de Expectativas (IE-CST) diminuiu pelo segundo mês consecutivo, de 96,2 pontos para 95,5 pontos 2,9 pontos. A queda de 2,6 pontos do indicador de tendência dos negócios compensou o avanço de 1,3 ponto do indicador de demanda prevista.
O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) subiu 0,2 ponto percentual, para 72,9%. O resultado ligeiramente positivo foi influenciado pelo aumento de 0,2 ponto do Nuci de Mão de Obra (de 73,9% para 74,1%), já que houve recuo de 0,3 ponto no nível de atividade de Máquinas e Equipamentos (de 65,9% para 65,6%).
A desorganização da produção e a alta das matérias-primas têm repercutido fortemente no setor da construção. Em dezembro, entre os fatores limitativos, a escassez de material de construção alcançou 20,0% das assinalações do mês, um recorde histórico da Sondagem. Por sua vez, a elevação de preços foi assinalada por 21,6% das empresas. “Essas questões atingem todos os segmentos do setor da construção e se apresentam uma limitação adicional e com potencial crescente no processo de retomada”, avaliou Ana Castelo.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Valor — São Paulo, 23/12/2020

