Dos R$ 266,6 bilhões desembolsados pelo BNDES em financiamentos para o setor de transportes, entre 2006 e 2015, o segmento rodoviário representou R$ 160,2 bilhões. O volume corresponde a cerca de 60% de todo o desembolso do banco para o setor de infraestrutura logística. O crescimento
acelerou fortemente entre 2006 e 2011, quando atingiu o recorde de R$ 26,04 bilhões em financiamentos liberados para a infraestrutura de transporte rodoviário, equivalentes a 16% do total no período. Já em 2012, houve uma queda forte, seguida de recuperação nos dois anos seguintes.

Mas em 2015, a crise atingiu em cheio a economia brasileira. Por isso, o volume de desembolsos do banco para o setor rodoviário caiu 65,8%. A queda livre continua em 2016, ainda que em ritmo menos acelerado. De janeiro a outubro, o banco desembolsou R$ 4,07 bilhões, baixa de 34% na
comparação com mesmo período de 2015. Um dos motivos para essa baixa abrupta foi o reduzido número de projetos rodoviários lançados nos últimos dois anos. 

Com isso, a participação total do segmento nos desembolsos do portfólio de infraestrutura logística do BNDES baixou para de 53,2% para 26%. Para o ano que vem, a retomada das concessões rodoviárias aumenta a expectativa em relação aos desembolsos do banco de desenvolvimento para o setor. De acordo com o cronograma do governo federal, os leilões de trechos das rodovias BR 364/365 entre Goiás e Minas Gerais, e das rodovias BR 101/116/290/386, no Rio Grande do Sul estão previstos para o segundo semestre de 2017, o que deve elevar o volume de recursos liberados.

Maurício Lima, sócio diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), observa que as novas concessões podem dar início a uma retomada do volume de carga rodoviária no país. Mas o processo será lento. "Estimamos que somente em 2020 o volume transportado de carga nas rodovias recupere
o nível registrado em 2014", diz. Para 2016, Lima projeta uma queda de cerca de 5% na carga total transportada. "Isso, depois de um ano em que tivemos uma redução de 4,7%."

Lima explica que o segmento rodoviário no Brasil é muito sensível à flutuação da economia. Por isso a queda no setor foi tão forte desde 2015. "Se o PIB cresce 1%, o movimento de carga cresce 1,4%. A mesma proporção ocorre quando o PIB cai", diz. "Há pouco desenvolvimento nos demais modais de transporte, o que sobrecarrega as estradas." 

Fonte: Valor - Empresas, por Carlos Vasconcellos , 20/12/2016