O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse ontem que o Brasil está na vanguarda do mundo quando o assunto é vacinação contra a covid-19. Segundo ele, a depender da emissão dos devidos registros por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o país poderá aplicar 24,5 milhões de doses do imunizante já no mês de janeiro.

Em reunião convocada por senadores, Pazuello revelou ainda que a farmacêutica americana Pfizer tentou nesta semana pedir à Anvisa autorização para uso emergencial de sua vacina, mas que a empresa teria ficado surpresa com a quantidade de detalhes solicitados pela agência.

Em tom de crítica, o ministro afirmou que a Pfizer se compromete a entregar apenas 2 milhões de doses ao governo brasileiro no primeiro trimestre de 2021, sendo 500 mil em janeiro, 500 mil em fevereiro e mais 1 milhão de doses em março. Pazuello também se queixou das isenções de responsabilidades solicitadas pela empresa. “E, pasmem, estamos pensando em aceitar”, afirmou o ministro aos parlamentares presentes.

De acordo com ele, além das 24,5 milhões de doses previstas para janeiro (entre Coronavac, Pfizer e AstraZeneca), o ministério estima outras 37,7 milhões de doses em fevereiro e mais 31 milhões, em março. “Por isso, digo que estamos na vanguarda. Não estamos sendo atropelados.”

Pazuello ressaltou por mais de uma vez que as projeções dependem do registro das vacinas pela Anvisa e também da entrega efetiva por parte dos laboratórios. O ministro tentou amenizar a defesa do governo de que a vacinação seja voluntária, ao ressaltar que essa visão vale para o período em que os imunizantes estiverem sendo aplicados emergencialmente, ou seja, sem o registro definitivo da autoridade sanitária.

“Quando se fala de voluntário, é antes do registro, ainda nas fases de testes”, disse o ministro, ao lembrar que nenhuma vacina ainda conseguiu ser registrada em nenhuma parte do mundo.

As clínicas privadas, segundo Pazuello, só deverão ter acesso às vacinas após o setor público receber todos os lotes previstos. Ele revelou ter sido questionado por parlamentares sobre as possibilidades de aquisição de imunizantes pelo setor privado. O ministro defendeu a venda nesse segmento, desde que a demanda do governo já tenha sido atendida.

“Claro que deve comprar também no privado, mas com prioridade para o SUS”, afirmou Pazuello, ao ressaltar que o plano do governo prevê vacinas de graça para toda a população. Questionado se a posição do presidente Jair Bolsonaro sobre a vacina poderia interferir em uma campanha de incentivo à imunização, Pazuello garantiu que o governo vai endossar, quando for o caso, a segurança e a eficácia da vacinação. “Vamos reverter a percepção sobre a importância.”

O ministro reconheceu ainda o recrudescimento da pandemia e alertou para a importância das medidas preventivas, como o distanciamento social e a correta triagem de casos. Segundo Pazuello, as posições de Bolsonaro apenas refletem uma preocupação do presidente com a eventual importação de um imunizante que não tenha a segurança e a eficácia devidamente comprovadas.

Ele pediu desculpas pelas declarações feitas na última quarta-feira, quando se queixou da excessiva ansiedade e angústia em torno do plano de vacinação. Segundo ele, a declaração ficou fora de contexto. “É óbvio que estamos preocupados e angustiados”, ele afirmou.

 

Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Murillo Camarotto - De Brasília, 18/12/2020