O contínuo fluxo de recursos estrangeiros direcionados para mercados emergentes, em um cenário de alta das commodities, vacinação em alguns países e expectativa de aprovação de um novo pacote de estímulos nos EUA animaram os mercados locais durante boa parte da sessão. O Ibovespa chegou a encostar na marca de 119 mil pontos, na máxima do dia, enquanto o dólar caiu para R$ 5,04. Entretanto, a falta de definições, principalmente sobre o pacote de estímulos americano, acabou tirando o ímpeto do mercado durante a tarde e levou os investidores a pisarem no freio.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 118.401 pontos. Na máxima, o índice chegou a subir 0,99%, aos 119.027 pontos e, em nenhum momento, figurou no negativo. O volume financeiro totalizou R$ 19,76 bilhões, abaixo da média diária de 2020, de R$ 21 bilhões, e de dezembro, de R$ 24 bilhões.

O principal índice da bolsa acumula uma valorização de 8,73% somente no mês de dezembro. No ano, a alta é de 2,38%. Para alcançar a máxima de 2020, de 119.527 pontos em 23 de janeiro, falta um avanço de 0,95%.

Assim como visto desde o início de novembro, a melhora no apetite ao risco nos mercados globais tem favorecido o Ibovespa, bem como outros mercados emergentes, com destaque para a América Latina. Em dezembro, até o dia 15, o estrangeiro soma uma entrada líquida de R$ 9,66 bilhões na B3. Somado a novembro, este fluxo já totaliza R$ 42,98 bilhões.

A explicação está na composição desses mercados, com predominância de ações de empresas ligadas ao ciclo econômico, além da desvalorização das moedas locais deixarem os preços mais atrativos em dólar. Enquanto o Ibovespa sobe 2,38% em reais no ano, ainda recua cerca de 19% em dólar.

Ontem, o dólar fechou em queda de 0,49%, aos R$ 5,0778, acumulando baixa de 5,03% em dezembro. Ainda assim, segue com alta de 26,6% em 2020.

Para o BTG Pactual, o apetite ao risco dos mercados globais tende a continuar elevado em 2021 e deve ser a principal força motriz para as ações de mercados emergentes. Para a bolsa brasileira, apenas uma gestão desastrosa no âmbito fiscal pode “estragar a festa” dos ventos favoráveis vindos do exterior.

A justificativa desse quadro mais favorável, segundo o banco, se baseia nas perspectivas positivas para a economia global com o início da vacinação, taxas de juros baixas e estímulos adicionais que devem ser anunciados.

Neste cenário, o BTG acredita que faz sentido ter exposição relativamente grande a nomes que se beneficiam diretamente de uma economia global potencialmente em expansão, como Petrobras, Vale e Suzano. Esses papéis, segundo eles, ainda se favorecem do crescimento da demanda global e da alta dos preços das commodities.

Entre as maiores altas ontem do Ibovespa, PetroRio ON subiu 3,74% e CSN ON avançou 3,70%. Também tiveram ganhos expressivos Gerdau PN (2,61%), Metalúrgica Gerdau PN (1,74%) e Usiminas PNA (1,14%). As ações da Vale subiram 1,14%, enquanto Petrobras ON teve alta de 1,26% e Petrobras PN, de 0,18%.

O bom humor lá fora também contribuiu para a queda dos juros futuros apesar do leilão robusto de títulos públicos pelo Tesouro Nacional. A taxa do DI para janeiro de 2027 saiu de 6,76% para 6,73%.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Marcelle Gutierrez - De São Paulo, 18/12/2020