O Brasil deve fechar até o fim do ano 5 milhões de megawatts/hora de energia renovável certificada (REC). É o dobro do ano passado. Cada certificado comprova que 1 megawatt/hora foi gerado por fonte de energia renovável e injetado no sistema para depois chegar ao consumo por uma empresa. Isso ajuda a diminuir a pegada de carbono na produção, um diferencial competitivo que ajuda a abrir portas em mercados exigentes, como a Europa, ou integrar o índice de sustentabilidade da Dow Jones.
“O mercado de REC movimenta por ano 600 milhões de megawatts/hora. No Brasil, temos cerca de 150 usinas de energia certificadas, mas mais de 2.000 aptas. Isso mostra o potencial do mercado”, diz Fernando Lopes, diretor-presidente do Instituto Totum, entidade criada em 2003 que atua como uma espécie de cartório que atesta a origem renovável da energia.
Duas empresas de diferentes ramos aderiram à modalidade. Uma do setor de telecomunicações e outra do segmento de saúde privada. A Vivo tem consumo de energia renovável desde 2018. O Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI) faz inventário anual de emissões e parte de suas operações já conta com energia renovável certificada.
A operadora de telefonia combina aquisição de energia renovável no mercado livre, geração distribuída e com certificados de energia renovável, os I-RECs, para o restante do consumo de energia elétrica. O GNDI prevê 100% de energia renovável para suprir seus mais de 26 hospitais, 90 centros clínicos e quase 100 endereços de pronto-socorro, unidades de exames de imagens e de coleta de análises clínicas.
A Vivo compra energia renovável certificada da Atlantic Energias Renováveis. São cerca de 100 mil I-RECs ao mês, com perspectiva de redução gradativa, à medida em que aumente a participação de mercado livre com atributo renovável e geração distribuída em nosso portfólio. Este ano, a operadora anunciou a expansão do modelo de geração distribuída, que prevê a instalação de mais de 70 usinas em todas as regiões do Brasil. “No ano passado, a energia de fontes renováveis reduziu 50% das emissões diretas e indiretas de CO2 da Vivo, um dos objetivos globais de mudanças climáticas da Telefônica ”, afirma Caio Guimarães, diretor de patrimônio da Vivo.
O GNDI aderiu ao programa de compensação com a compra de 8.500 certificados de energia renovável. O fornecedor também é a Atlantic Energias Renováveis, com origem em projeto de energia eólica no interior da Bahia.
“Adquirimos um sistema novo que permitirá medição de emissões de gases de efeito estufa em todas as unidades e estamos dando destaque estratégico para a sustentabilidade”, diz Anderlei Buzelli, vice-presidente de ESG.
O programa brasileiro de energia renovável foi criado em 2013. Em 2016 os certificados emitidos aqui ganharam equivalência com o International REC Standard (I-REC). Na Europa, a certificação tem mais de 15 anos e atende exigências regulatórias. Nos Estados Unidos há combinação de meta legais e programas voluntários. O Brasil segue o modelo voluntário e nesse segmento só perde para a China na emissão de certificação.
AES, CPFL, Raizen, EDP e Eletrobras já estão gerando certificados. Entres os consumidores estão Itaú, Bradesco, BMW, Joalheria Tyffany, Microsoft, Google, Facebook e empresas de prédios verdes. A Klabin gera REC para o próprio consumo com o aproveitamento de alguns subprodutos para a geração de energia elétrica. O certificado funciona como uma prova de que o consumidor usa energia renovável.
Fonte: Valor Econômico - Suplementos, por Paulo Vasconcellos - Para o Valor, de Porto Alegre, 18/12/2020

