A falta de aço no mercado brasileiro pode se estender para além do fim deste ano. Os estoques na distribuição estão baixos e, segundo o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, essa queda pode comprometer o abastecimento durante o primeiro trimestre de 2021.

“Estoques caíram muito. É o mais baixo dos último 10 anos. Isso porque as usinas não conseguem entregar os pedidos, preferem atender o cliente direto imaginando que a rede tem estoque”, disse Loureiro.

Em novembro, os distribuidores tinham armazenadas 630,4 mil toneladas, o que equivale a 1,9 mês de venda. “Se continuarmos nesse nivel, podemos ter dificuldade de abastecimento no primeiro trimestre. Vamos ter problemas de falta de material. Temos pedidos colocados nas usinas, mas elas não estão conseguindo atender à necessidade.”

Segundo Loureiro, um estoque normal é de, no mínimo, de 2,5 meses. “Temos cerca de 200 mil toneladas que foram pedidas e não foram entregues ainda.”

As usinas, no entanto, afirmam que o nível de atividade do setor está melhor que no início do ano. Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, atualmente, a utilização da capacidade instalada é de 68,9% e já ultrapassou a de janeiro deste ano.

“Os problemas de abastecimento apontados na imprensa por alguns segmentos de consumo referem-se à reposição de estoques e estão localizados no segmento da distribuição do aço e não nas usinas”, disse o dirigente.

Segundo Mello Lopes, com a pandemia em abril, a indústria brasileira do aço operou com apenas 45% de sua capacidade instalada, ajustando a oferta à demanda existente na época.

“Altos fornos, aciarias e outros equipamentos foram abafados e desligados. Já a partir de junho, o setor passou a colocar no mercado interno mais do que colocou em janeiro e fevereiro, quando não havia qualquer reclamação com relação a abastecimento.”

O consumo aparente de janeiro a novembro foi de 19,2 milhões de toneladas, volume 1,2% maior no comparativo com janeiro a novembro de 2019. No início da pandemia, o IABR estimava uma queda de 20% no consumo aparente neste ano.

“A recuperação do mercado interno permitiu que as estimativas do Instituto para este ano sejam de relativa estabilidade em relação a 2019, com as vendas internas apresentando crescimento de 0,5% e atingindo 18,9 milhões de toneladas e o consumo aparente uma queda de apenas 1%, devendo atingir 20,8 milhões de toneladas”, disse.

Os dados do IABR mostram ainda que as vendas subiram 12,9% em novembro, alcançando 1,8 milhão de toneladas. No acumulado do ano, foram vendidas 17,4 milhões de toneladas, uma leve alta de 0,3% em relação a 2019.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ana Paula Machado - São Paulo, 16/12/2020