Passado o pior momento do ano para a economia brasileira, quando o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,5% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, feito o ajuste sazonal, uma melhora da indústria extrativa e do setor de serviços vai garantir mais dinamismo para a atividade nos últimos três meses de 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), embora a tendência para os investimentos ainda seja de fraqueza.
Na edição de dezembro do Boletim Macro, a ser divulgada hoje pelo Ibre, a economista Silvia Matos afirma que o resultado do PIB do terceiro trimestre ficou levemente abaixo de sua projeção, mas os primeiros indicadores referentes aos três meses seguintes apontam para expansão de 0,8% da atividade no período. Com essa variação, Silvia estima que o PIB vai crescer 2,4% em 2013. "Esse último trimestre tem tudo para não ser uma repetição do que vimos no terceiro", diz a coordenadora do boletim.
Em primeiro lugar, ela destaca que a continuidade da recuperação do setor extrativo, que mostrou desempenho ruim na primeira metade do ano devido à paralisação de plataformas de petróleo, terá impacto positivo sobre o PIB industrial no quarto trimestre. Nos três meses anteriores, esse componente da atividade subiu apenas 0,1%.
Segundo Silvia, esse movimento terá poucos efeitos sobre a produção industrial no período, que deve seguir em ritmo ainda lento, já que o peso da parte extrativa nessa pesquisa é menor. No sistema de contas nacionais, no entanto, essa participação é bem mais relevante e, para a pesquisadora, deve levar a uma alta de 0,7% da atividade entre outubro e dezembro.
No caso dos serviços, a economista observa que, no terceiro trimestre, a média de crescimento de seis dos sete ramos que compõem essa atividade em relação ao mesmo período de 2012 foi de 2,7%, enquanto o segmento "outros serviços" avançou menos de 2%, comportamento que considerou atípico. Na comparação trimestral com ajuste, esses serviços recuaram 0,4%, contra aumento de 0,1% na média geral.
"A PMS [Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE] já mostrava os serviços mais fracos no terceiro trimestre, mas isso foi concentrado em um setor", nota Silvia. Como, nos três meses encerrados em dezembro, a parte de "outros serviços" deve voltar ao campo positivo, a coordenadora do boletim projeta que o PIB de serviços vai ganhar fôlego, ainda que, no longo prazo o setor esteja em processo de desaceleração.
Silvia ainda não fechou suas estimativas para o PIB pela ótica da demanda, mas comenta que o consumo das famílias não "reflete 100%" da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, que mostrou bons resultados para as vendas do varejo na abertura do quarto trimestre. A expectativa, diz ela, é que a demanda continue contribuindo para o crescimento da economia no fim do ano, mas os juros mais altos e reajustes salariais mais modestos tendem a manter o comércio em ritmo de acomodação.
Para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil), que diminuiu 2,2% no três meses terminados em setembro, Silvia avalia que o cenário também não é muito animador. Por ora, ela trabalha com estagnação da FBCF no último trimestre.
Em sua opinião, a mudança na virada do ano das condições do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES - que financia bens de capital a juros reais negativos - ainda pode antecipar compras de maquinário até dezembro, mas mesmo assim o efeito do estímulo do governo sobre o consumo desses itens será muito menor do que o observado de janeiro a junho.
A economista também menciona a confiança do empresário ainda em patamar baixo, o aumento dos juros e perspectivas de crescimento econômico menor em 2014 como outros fatores que impedem uma retomada mais significativa dos investimentos neste fim de ano. O Ibre-FGV projeta alta de 1,8% para o PIB no ano que vem.
Fonte: Valor Econômico, por Arícia Martins, 16/12/2013

