Um dos grandes desafios para a indústria da previdência é hoje incentivar a disciplina e a educação financeira e previdenciária da população. Segundo pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) realizada em abril, 68% dos brasileiros ainda não pensam em guardar dinheiro. Isso é preocupante, mas ao mesmo tempo uma oportunidade de expansão de mercado, principalmente quando se observa o aumento da expectativa de vida.

Nos anos 90, várias empresas criaram planos de previdência privada para seus funcionários. Ao longo dos anos, no entanto, esses planos passaram a ser administrados por instituições financeiras. "A escolha envolve questões como custo e escala", diz José Ribeiro Pena Neto, diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

De acordo com ele, o que atraiu as companhias para um fundo multipatrocinado foi - e continua sendo - a possibilidade de compartilhar os custos fixos, por exemplo, os administrativos, com outras patrocinadoras, o que representa um gasto menor. Além da questão da escala, o diretor-presidente da Abrapp aponta ainda o fato de que o processo de criação, implantação e manutenção de um fundo de pensão é oneroso e burocrático. "A previdência é um assunto muito complexo. Montar um fundo que renda um valor determinado que dê rendimento similar ao salário é um desafio grande e os bancos são profissionais na área de investimentos", afirma Evaldo Alves, professor de administração da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A Brasilprev superou em 2014 a marca de R$ 100 bilhões em ativos sob sua gestão. Segundo dados da Quantum Axis, tem 57% de market share em captação líquida (diferença de tudo o que é arrecadado menos o montante resgatado), indicador no qual é líder desde 2008. O crescimento foi de 50% nos primeiros onze meses de 2014 em comparação a igual período do ano passado.

Para a Brasilprev, o ano de 2014 foi marcado pelo lançamento de um produto para micro e pequenas empresas. O desempenho foi acima do esperado. De outubro de 2013 até outubro de 2014, a arrecadação superou em 90% as reservas que a empresa já tinha nesse segmento com a oferta disponível anteriormente. Para 2015, o plano é lançar uma nova solução para o setor empresarial, com foco nas médias empresas, com serviços exclusivos, vantagem progressiva e produtos customizados, informa Mauro Guadagnoli, superintendente comercial da Brasilprev.

"O grande diferencial dessa nova oferta é a chamada vantagem progressiva, que possibilita a redução das taxas cobradas individualmente - à medida que o colaborador atinge patamares superiores de reserva financeira - ou coletivamente - quando o somatório das reservas de todos os participantes vinculados a um determinado CNPJ alcança níveis mais elevados", explica Guadagnoli. Outra vantagem, segundo ele, é que estes planos são averbados, ou seja, não contam com a participação financeira da empresa contratante, o que para os pequenos negócios é um facilitador, pois eles não precisam de uma estrutura de gestão de pessoas para coordenar a adesão ao produto.

A Bluestar Silicones, fabricante de silicones para fins industriais, é fruto da venda mundial da unidade de silicone da francesa Rhodia para a chinesa Bluestar. A Rhodia tinha um plano fechado de previdência complementar gerenciado internamente. Em 2007, a Bluestar Silicones decidiu contratar um plano da Brasilprev. "A relação custo/benefício é muito boa. O gerenciamento é todo feito pela administradora e temos garantias e segurança dos recursos. A solução desenhada foi bastante customizada em relação à contribuição, prazos de resgate e administração dos valores", diz Marco Alves, diretor administrativo e financeiro da Bluestar Silicones. Trabalham na empresa cerca de 70 funcionários, dos quais 92% aderiram ao plano.

A Bradesco Seguros tem por volta de 45 mil empresas como clientes de seus planos de previdência, dos quais participam cerca de 870 mil pessoas. "Os planos previdenciários ficaram cada vez mais financeiros, por isso muitas empresas escolhem não fazer sua gestão internamente", afirma Carlos Eduardo Sarkovas, diretor da Bradesco Seguros, que opera em todos tipos de empresas.


Fonte: Valor, por Lia Vasconcelos, 15/12/2014