A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) anunciou expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) da construção, no próximo ano, mas passou a projetar redução de lançamentos e vendas de imóveis para 2022. A piora da percepção em relação ao mercado imobiliário deveu-se à queda, pela metade, das contratações de financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em outubro e novembro, segundo o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

A estimativa para o aumento do PIB da construção, em 2021, foi revista de 5% para 7,6%, refletindo o ciclo de negócios iniciado no ano passado. Segundo cenário base traçado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido da CBIC, o PIB do setor poderá ter expansão de 2%, em 2022, desde que a economia brasileira cresça de 0,5% a 1%. Investimentos públicos e privados na infraestrutura, reflexos dos leilões realizados em 2019 e 2020, contribuirão para o indicador da construção. O desempenho das empresas terá alta de 4%, enquanto a autoconstrução apresentará queda de 0,6%.

Justamente a faixa da população que mais demanda moradias, ressaltou Martins em coletiva de imprensa, está com dificuldades de pagar a fatia não financiada, devido à redução do poder de compra diante de preços mais elevados dos imóveis em decorrência das altas de insumos. Três semanas atrás, o presidente da CBIC ainda esperava estabilidade em lançamentos e vendas em 2022.

“Neste ano, vão sobrar entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões dos recursos para subsídios”, disse Martins. A entidade conversará, novamente, com representantes do governo, nesta semana, sobre a possibilidade de aumento da curva de subsídios do programa habitacional Casa Verde e Amarela. Já a liberação de recursos da caderneta de poupança para a habitação tende a continuar em crescimento, na avaliação do presidente da CBIC.

Segundo ele, como as altas de preços de imóveis não corresponderam ao total dos incrementos de custos, os valores “irão aumentar naturalmente”.

Para este ano, a projeção de crescimento de 10% de lançamentos e vendas foi mantida, puxada pelo desempenho do primeiro semestre. Segundo Martins, 2021 foi “o ano do mercado imobiliário”. De janeiro a setembro, houve aumento de 37,6% nos lançamentos, na comparação anual, para 171.013 unidades, e 22,5% de expansão das vendas, para 187.952 unidades.

O ritmo de expansão do volume vendido diminuiu no terceiro trimestre. “As vendas de ontem são o emprego de hoje, e as vendas de hoje são o emprego de amanhã”, afirmou Martins. Volumes lançados e comercializados, agora, representam obras futuras e, consequentemente, contribuem para o PIB setorial futuro.

A CBIC estima que 2022 será o terceiro ano consecutivo de pressão de custos para o setor. Segundo a FGV, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) aumentou 13,46% de janeiro a novembro. Considerando-se apenas o INCC de materiais e equipamentos, a alta atingiu 23,26%. Mas, se o crescimento de custos de materiais foi o destaque dos últimos 18 meses, para o próximo ano, a maior pressão esperada se refere aos salários.

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 14/12/2021