Diante da maior concorrência no crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal estuda estender o juro menor anunciado ontem também para contratos antigos, não apenas para clientes novos da modalidade. Em meio ao ciclo de queda do juro básico, bancos públicos e privados têm reduzido suas taxas, incentivando um volume grande de portabilidade nessa linha.
Ontem, a Caixa divulgou novas taxas para o crédito imobiliário e o cheque especial, depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter baixado a Selic de 5% ao ano para 4,5% ao ano, na quarta. “Estamos estudando neste momento essa oferta para clientes da Caixa que já tenham crédito imobiliário [no próprio banco]”, disse o presidente da instituição financeira, Pedro Guimarães, em entrevista a jornalistas. Atualmente, clientes antigos da Caixa não podem renegociar os contratos para ter acesso às novas taxas.
Os cortes de juros posteriores ao Copom têm sido uma constante na Caixa neste ano, normalmente seguido pelos competidores, embora em menor intensidade. Historicamente, o banco estatal puxa a competição nesse mercado, uma vez que possui a maior carteira na modalidade.
Ontem, o banco cortou o juro mínimo do crédito imobiliário de 6,75% ao ano mais taxa referencial (TR) para 6,5% ao ano mais TR. Por enquanto, a taxa nova vale apenas para contratos estabelecidos a partir da próxima segunda-feira. No início de 2019, a instituição financeira cobrava a partir de 8,75% mais TR. Se analisado um prazo mais longo, quando a Selic começou a ser reduzida, em outubro de 2016, eram 10,86% ao ano mais TR.
Com contratos antigos em juros nesses patamares, clientes da Caixa têm encontrado opções mais atrativas nos concorrentes, acelerando os pedidos de portabilidade - que também ocorrem de clientes de outros bancos para as taxas novas da Caixa. O Santander, que hoje aplica a cobrança mais alta, segundo dados compilados pela fintech Melhortaxa, especialista em crédito imobiliário, cobra a partir de 7,99% ao ano mais TR no crédito imobiliário. Na sequência, estão Itaú (a partir de 7,45% ao ano mais TR), Banco do Brasil (7,4% ao ano mais TR) e Bradesco (7,3% ao ano mais TR).
“Com a ampliação da taxa menor para contratos antigos, a Caixa deve estar trabalhando para reter clientes, em meio a um aumento de portabilidade nessa linha de crédito”, diz Rafael Sasso, fundador e sócio da fintech Melhortaxa. Na plataforma, os pedidos de portabilidade no crédito imobiliário saltaram de 200 em média ao mês em 2018 para 2 mil em 2019.
O vice-presidente de habitação da Caixa, Jair Mahl, disse ontem a jornalistas que a Caixa está atenta ao movimento de mercado de portar financiamento de um banco para o outro. “O mercado atua normalmente com isso [portabilidade], e nós evidentemente buscamos estar nesse mercado”, afirmou. “A Caixa é o banco da habitação, do primeiro imóvel. Buscamos melhorar os nossos produtos para os nossos clientes e também para os de outros bancos.”
O patamar de 6,5% ao ano mais taxa referencial, entretanto, não é uma garantia para todos os clientes do banco, uma vez que depende do relacionamento. O uso de produtos como cartão de crédito ou crédito pessoal ajudará o cliente a ter acesso a uma taxa menor. “Quanto mais relacionamento, mais o cliente pode buscar uma taxa menor. É customizado”, disse Mahl.
A depender de Guimarães, as taxas da Caixa devem continuar a cair. O executivo destacou ontem que não apenas a Selic vem sendo reduzida, mas também as taxas de juros de longo prazo. “Isso nos dá tranquilidade matemática para continuar as reduções”, disse.
Guimarães afirmou ainda que o banco pretende lançar até março do ano que vem uma terceira linha de crédito imobiliário, com taxas prefixadas. Atualmente, além do crédito atrelado à TR, a Caixa tem uma linha indexada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com ele, já foram liberados aproximadamente R$ 4 bilhões em empréstimos habitacionais atrelados à inflação desde que a linha foi lançada, há quase quatro meses.
Além da redução no crédito imobiliário, a Caixa anunciou ontem corte nas taxas do cheque especial. No caso da conta salário, a taxa passou de 4,99% ao mês para 4,95%. No caso dos clientes que não recebem seu salário na Caixa, foi de 8,99% para 8% - o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no mês passado.
Fonte: Valor-Finanças, por Estevão Taiar e Flávia Furlan -Brasília e São Paulo, 13/12/2019

