Após um bom resultado em setembro, os serviços prestados no país voltaram a crescer em ritmo surpreendente em outubro e reforçaram as projeções de analistas de um quarto trimestre mais positivo para a atividade, puxada pelo consumo privado.
Divulgada ontem pelo IBGE, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou crescimento de 0,8% do setor em outubro, na comparação ao mês anterior, feitos os ajustes sazonais. Foi o segundo mês consecutivo de avanço do indicador, que crescera 1,5% em setembro.
O desempenho superou as expectativas de parte dos analistas do mercado. A MCM Consultores, por exemplo, previa queda de 0,2% do indicador. A Pezco projetava uma pequena alta de 0,2% para o volume de serviços.
A pesquisa do IBGE mostrou espalhamento de taxas positivas em outubro, frente a setembro. Dos cinco ramos acompanhados, quatro cresceram: informação e comunicação (1,8%), serviços às famílias (1,5%), transporte (1,1%) e profissionais e administrativos (0,1%).
De acordo com Mayara Santiago, pesquisadora da área de Economia Aplicada do Ibre/FGV, indicadores coincidentes apontavam para crescimento do setor em outubro, mas em magnitude menor. Ela previa alta de 1,3% em relação a outubro de 2018, mas o setor cresceu 2,7%.
“O ramos de informação e comunicação tem um peso grande na pesquisa e cresceu em ritmo bem mais forte por causa do segmento de audiovisuais”, disse a economista. “Serviços às famílias também vieram forte, o que tem a ver com crédito e juros.”
Segundo Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, a exceção foi o grupo chamado “outros serviços”, que inclui corretoras de valores, com queda de 0,3%. “Foi uma acomodação após alta de 0,5% do mês anterior”, resumiu o técnico do IBGE.
Para Alberto Ramos, diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, o resultado do setor de serviços foi “sólido” em outubro e vai na direção de um cenário positivo para o consumo privado no país.
“Para frente, os setores de varejo e serviços devem ser apoiados pelo ambiente de baixa inflação (o que sustenta a renda real), aumento do emprego, concessão de crédito e queda dos juros”, avaliou o economista.
De acordo com Yan Cattani, economista da Pezco, o serviços medidos pela PMS caminham para fechar o ano com crescimento de 1,1%. A previsão implica algum ganho de ritmo em novembro e dezembro, já que o setor cresce 0,8% no acumulado do ano até outubro.
“Basicamente, pela frente, o consumo das famílias deve puxar o quarto trimestre da economia. A Black Friday pode nos surpreender positivamente. E, quando varejo anda, acaba puxado serviços, que está na etapa anterior da cadeia”, acredita Cattani.
Se confirmada a projeção, o setor de serviços caminha para fechar seu primeiro ano de crescimento desde 2014. De lá para cá, foram três anos seguidos de queda do volume e um de quase estabilidade, em 2018 (queda de 0,2%).
Mesmo com a recente melhora, o setor de serviços permanece 9,7% abaixo do pico histórico registrado em novembro de 2014. No pior momento do setor, em abril do ano passado, mês da greve dos caminhoneiros, a distância estava em 15,9%.
Fonte: Valor-Brasil, por Bruno Villas Bôas - Rio, 13/12/2019

