Se a preocupação principal das administrações das companhias em relação a investimentos envolvia custos e burocracias para captar recursos, em 2021 os executivos dedicarão ainda mais atenção às incertezas, reflexo dos últimos nove meses em que o novo coronavírus impôs mudanças importantes de rota. Essa foi uma das conclusões da pesquisa Agenda 2021, conta o presidente da Deloitte no Brasil, Altair Rossato. “O que ficou mais evidente é que as visões de futuro não são tão previsíveis como no passado se achava que eram.”

O levantamento foi feito em novembro com profissionais de alto escalão de 663 empresas brasileiras que, juntas, faturam R$ 1,2 trilhão.

Com uma maior liquidez no mercado, a volatilidade macroeconômica (câmbio, inflação e juros), a imprevisibilidade na geração de receita e os riscos operacionais foram apontados como os maiores entraves à viabilidade de novos projetos de expansão.

Há insegurança para contrair dívida em dólar, em relação à inflação de insumos muito alta e para preparar estoques, exemplifica Rossato.

Ainda segundo o executivo, as empresas não podem “congelar”. Elas têm que avaliar os riscos e ter plano B. “Uma coisa interessante são decisões em cima de dados, que tendem a ser mais assertivas”, diz. Ele destaca que há forte interesse no investimento em tecnologia da informação, mas que somente 38% dos entrevistados afirmaram estar preparados para um cenário mais digital e de gestão de dados. “A adequação à LGPD é um desafio que será uma das prioridades no próximo ano”, acrescenta, referindo-se à Lei Geral de Proteção de Dados.

Outra preocupação citada pelos executivos, diz Rossato, é a geração de postos de trabalho, bem como a necessidade de qualificação dessa mão de obra após o processo acelerado de digitalização das companhias. Ao menos 44% dos participantes afirmaram ter interesse em retomar posições que foram fechadas na pandemia e 81% indicaram necessidade de estímulos à geração de emprego para manter a atividade econômica.

A pesquisa mostrou que há interesse em avançar na adoção de práticas estruturadas e formalizadas de governança ambiental, social e corporativa. Rossato diz acreditar também que um dos legados da companhia foi “tornar mais evidente a consciência do papel social” das empresas.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Raquel Brandão - São Paulo, 10/12/2020