eparadas ou já em andamento”, disse o presidente do banco, Marcelo Marangon, durante evento on-line com jornalistas.
“Esperamos certa concentração [de emissão de ações] no começo do ano, várias operações já estão sendo estruturadas e devem sair nos primeiros meses”, afirmou. A manutenção da janela para o acesso ao mercado de capitais doméstico, no entanto, depende diretamente da expectativa de estabilidade fiscal e da maneira como as autoridades vão tratar a segunda onda de covid-19. “Isso impacta diretamente a perspectiva de mercado e é muito importante que o país tome as decisões adequadas com o rigor fiscal”, acrescentou.
Marangon explicou ainda que o movimento de IPOs e follow-ons deve trazer fôlego para as fusões e aquisições (M&A). “As captações com ações trazem liquidez para que companhias possam perseguir metas mais agressivas de crescimento por meio de aquisições”, pontuou. O presidente do Citi afirmou enxergar um cenário de busca por consolidação em vários setores em 2021, com as companhias “buscando sinergia de custos e maior eficiência” por meio de M&A.
Os resultados do Citi Brasil se mostraram resilientes na pandemia. As perdas no crédito neste ano têm sido menores que no mesmo período de 2019, afirmou Marangon. Segundo o executivo, a carteira de crédito expandida apresentou forte desempenho em nove meses, com alta de 42% ante o mesmo intervalo do ano passado, a R$ 32,3 bilhões.
Marangon explicou que muitas operações de empréstimos foram demandas derivadas da crise, e já foram pré-pagas ou reperfiladas. As provisões deste ano, 145% maiores do que as feitas no primeiro semestre de 2019, segundo os dados mais recentes do banco, de junho, tendem a ser liberadas em 2021, conforme o desempenho da carteira de crédito se mantenha, disse o presidente do Citi.
Em nove meses, o Citi Brasil teve receitas de R$ 6,4 bilhões, com um crescimento de 37% ante o mesmo período de 2019. O lucro líquido recorrente alcançou R$ 1,02 bilhão. Os depósitos tiveram alta anual de 40% para R$ 28 bilhões.
Apesar da previsão de um começo de ano movimentado, o Citi espera que os mercados enfrentem mais volatilidade cambial entre o fim deste ano e o início do próximo, segundo o economista-chefe Leonardo Porto. A razão é a segunda onda de covid-19 e a possibilidade de o governo estender as medidas de auxílio emergenciais diante da piora da pandemia. Nesse cenário, a questão fiscal voltaria a pesar sobre o mercado.
Porto ponderou que se o governo mantiver a expectativa de sustentabilidade fiscal, ainda que adote algum tipo de flexibilização do teto de gastos, o impacto sobre o mercado seria limitado. “A grande questão é se a solução a ser costurada conseguirá manter a ancoragem da sustentabilidade da dívida pública. Nosso cenário base é que sim. Porém, se vier solução mais frouxa do que estamos esperando, o risco de crédito cresce e o fluxo de capitais será menor.”
O economista-chefe do Citi também chamou atenção ao cenário fiscal no curto prazo. “Devido à segunda onda prevemos que a despesa pública vai superar o teto de gastos em 1 ponto percentual em 2021, devido a uma extensão das medidas de emergência”, afirmou. Na visão de Porto, “diante do fato que a pandemia está recrudescendo em alta velocidade, cresce a possibilidade que o auxílio emergencial seja estendido”. O cenário base do Citi prevê que o teto de gastos seja afrouxado apenas no ano que vem, mas a regra voltaria a ser uma âncora relevante da despesa pública novamente em 2022.
Para o especialista, “essa segunda onda é diferente da primeira, porque a gente entra sabendo que é questão de tempo para sermos vacinados”. Na visão do Citi, uma das principais perguntas é o quanto de vacina está sendo coberto pelos acordos já firmados. Nos dados levantados pelo banco, o país já garantiu 186 milhoes de doses, o que seria suficiente para cobrir cerca de 44% da população brasileira.
“Também é preciso saber a velocidade do processo de vacinação, o que vai determinar a extensão do impacto da segunda onda”, acrescentou. No cenário do Citi, a vacinação tende a ganhar tração ao longo dos três primeiros meses de 2021, o que significa uma perspectiva de aceleração do crescimento só a partir do segundo trimestre.
O Citi projeta avanços do PIB brasileiro de 3% em 2021 e de 2% no ano seguinte. De acordo com Porto, o PIB subiria só 0,7% nos últimos três meses do ano. Já no primeiro trimestre de 2021, “o ritmo desaceleraria mais para uma elevação de 0,1%”. A volta de uma retomada mais forte ocorreria somente a partir do segundo trimestre, que registraria uma elevação da atividade de 0,6%. No terceiro trimestre, Porto projeta um avanço mais consistente do PIB, de um ponto percentual.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Sérgio Tauhata, Valor — São Paulo, 10/12/2020

