A desaceleração das vendas de cimento no mercado brasileiro desde junho vem se confirmando a cada mês, embora o ano deva terminar com alta na faixa de 5% a 6% ante o resultado de 2020, que atingiu 11%. De janeiro a novembro, o volume comercializado somou 60 milhões de toneladas, com alta de 7% sobre igual período.
Em novembro, conforme dados divulgados Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), que reúne as fabricantes no país, as vendas totalizaram 5,4 milhões de toneladas, um crescimento de 1,8% em relação a um ano atrás.
Na avaliação do SNIC, o desempenho do mês passado foi afetado pela inflação em alta, queda na renda e endividamento das famílias, além das fortes chuvas dos últimos meses e o fraco desempenho das lojas que comercializam materiais de construção;
“Percebe-se que o crescimento na variação acumulada no ano vem diminuindo a cada mês. Em abril tínhamos alta de 20,8%, ou seja, até novembro houve uma queda de 34% no acumulado”, afirmou, em nota, o SNIC.
A entidade aponta o esgotamento da poupança e das reservas pessoais (daqueles que fizeram reformas) somadas as quedas dos índices de confiança do consumidor, do empresariado e o endividamento das famílias de baixa renda (perto de 60% da renda média anual).
Segundo o SNIC, a região Nordeste, onde se registrou um bom desempenho até junho, principalmente devido ao auxílio emergencial, foi diretamente impactada no mês passado, com queda de 4,2%. A expectativa é de que haja retomada do consumo de cimento com o retorno da ajuda financeira, agora por meio do Auxílio Brasil. “Nesta região, 44% da população vive com menos de R$ 420 por mês”, informa.
“A confiança dos consumidores voltou a recuar em novembro, de acordo com a FGV, reflexo da pior percepção sobre a situação econômica”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.
“Enquanto permanecermos com a inflação elevada, política monetária restritiva, maior endividamento das famílias de baixa renda e as incertezas econômicas, a confiança do mercado seguirá em queda”, destaca Penna.
No ano passado, as vendas de cimento somaram 60,5 milhões de tonelada. Se o mercado ficar próximo de novembro neste mês, alcançará em torno de 64 milhões de toneladas em 2021.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ivo Ribeiro, Valor — São Paulo, 09/12/2021

