A BR Properties tem sentido, nos últimos meses, melhora na demanda por escritórios comerciais. Segundo o presidente da companhia, Martin Jaco, 87% das empresas que estavam avaliando áreas de escritórios, antes da pandemia de covid-19, retomaram as conversas. Potenciais ocupantes têm buscado imóveis que ofereçam, além das áreas necessárias, facilidade de acesso a transportes públicos.

Sem informar como estão as pré-locações do Parque da Cidade, empreendimento comercial em fase final de desenvolvimento na zona Sul de São Paulo, o presidente da BR Properties afirmou que esses escritórios têm chamado a atenção de empresas que buscam “ocupação mais permanente e qualidade”.

No entendimento de Jaco, o segmento de escritórios ainda está em um ciclo de recuperação. Segundo ele, empresas estão começando a tomar decisões em relação à ocupação de escritórios. Jaco ressaltou que há muita recuperação para ocorrer no mercado paulistano de escritórios, considerando-se o volume pequeno de entrega de empreendimentos de alto padrão nos próximos anos.

“Nossa taxa de vacância se manteve estável no segundo e no terceiro trimestre. A inadimplência foi mantida, e tivemos uma geração de receita muito boa”, disse o presidente da BR Properties.

Neste ano, com parte da população trabalhando de casa devido à quarentena resultante da covid-19, surgiu o questionamento do que aconteceria com os escritórios comerciais.

Na avaliação de Michel Rike, executivo da empresa global de design e arquitetura Gensler, a covid-19 foi um “grande catalizador” de tendências que já vinham sendo percebidas. Rike, que participou de evento da BR Properties, contou que as pesquisas realizadas pela Gensler indicaram que a maior parte de quem trabalha em escritórios prefere modelo híbrido que combine presença nas empresas e “home office”.

“Gostamos de brincar que não fizemos ‘home office’, mas trabalho forçado de casa. Quantos contratempos cada um de nós teve nesse período todo?”, diz o executivo da Gensler. Segundo ele, o escritório do futuro precisará, assim como a hotelaria, ser um local de conveniência e benefícios, com suporte da tecnologia. Enquanto o trabalho presencial pode ser mais interessante para funções que exijam mais criatividade, ressalta Rike, atividades que exijam concentração podem se adequar melhor ao trabalho remoto.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 09/12/2020