Depois de um período morno, os fundos imobiliários estão voltando a olhar o mercado em busca de recursos por meio de ofertas de cotas, em um momento em que o ciclo de corte de juros pelo Banco Central (BC) começa a colocar combustível nessa indústria. Hoje há mais de R$ 16 bilhões em emissões à espera de uma janela no pipeline, segundo dados coletados pela gestora Hedge. A projeção, segundo especialistas, é a de que os fundos de tijolos, que são aqueles que investem diretamente nos empreendimentos, voltem a ganhar destaque, após um período dominado pelos fundos de recebíveis. Até o fim de outubro as captações no ano somaram R$ 18,3 bilhões, sempre considerando os fundos listados.

O sócio da XP Asset, Pedro Carraz, aponta que já era esperado um ano mais difícil para levantar mais capital, tendo os juros em 13,75% em janeiro, patamar de Selic que machuca a indústria. No entanto, ao longo do ano, foram abertas algumas janelas, ainda que restritas. Uma delas ocorreu a partir de maio, com números mais otimistas no mercado local. Naquele momento, os fundos maiores - e mais líquidos -, que já aguardavam uma brecha para levantar capital, foram para a rua depois de observarem valorização de suas cotas. Nesse espaço, a XPMalls, por exemplo, conseguiu captar. “Estávamos com a documentação em estágio avançado e conseguimos emendar duas captações, a primeira para o investidor institucional, cujo processo é mais rápido, e depois para o varejo”, afirma Carraz. Juntas, o fundo colocou R$ 942 milhões no caixa. “Ainda estamos terminando de alocar o caixa e vamos anunciar mais duas transações ainda neste ano”, afirma o executivo.

 
 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Fernanda Guimarães, Valor — São Paulo, 07/12/2023