O secretário de Planejamento e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Marcos Ferrari, disse que a agenda microeconômica preparada pelo governo inclui a revisão dos marcos regulatórios em diferentes áreas do setor de infraestrutura, como petróleo, telecomunicações e transportes.
Segundo ele, a ordem é melhorar o ambiente de negócios no país e estimular investimentos produtivos sem criar novos gastos para o governo. "Não há nenhum espaço fiscal para fazer o que foi feito no passado", disse ele, em entrevista ao Valor.
A implementação da agenda microeconômica se intensificou neste fim do ano com anúncio de medidas tomadas pelo governo, além de avanços na tramitação projetos de lei e medidas provisórias no Congresso. "Buscamos mudanças no marco legal que nos permite destravar investimento. O nosso foco é justamente identificar quais são alterações que a gente pode fazer nos
marcos legais que vão gerar aumento de investimentos", disse o secretário.
Ferrari afirmou que nessa semana as atenções estão voltadas para tramitação do marco de telecomunicações, que tem a análise do projeto de lei pautado para ser apreciado nesta terçafeira na Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional, do Senado.
Até o afastamento de Renan Calheiros (PMDBAL) do cargo de presidente do Senado, em decisão tomada na noite de ontem pelo Supremo Tribunal Federal (SFT), o governo contava com a aprovação do marco de telecomunicações ainda este ano no Congresso.
Os ajustes na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) vão permitir que grandes prestadoras, como Oi, Telefônica e Embratel, migrem dos contratos de concessão para autorização. Com isso, as empresas poderão trocar exigências de investimentos em telefonia fixa, que envolvem instalação e manutenção de orelhões, por obrigações no segmento de banda larga.
A mudança também põe fim às incertezas relacionadas aos bens reversíveis, patrimônio de imóveis e infraestrutura de rede herdados do antigo sistema Telebras. Esses bens teriam que ser devolvidos ao final do contrato de concessão, em 2025.
Ferrari ressaltou que somente o setor de telecomunicações responde por 5% do PIB. Ele disse que, nas contas do governo, a reforma do setor de telecomunicações vai gerar o retorno de R$ 34 bilhões em investimento para a economia brasileira, com impacto de 0,49 pontos percentuais no PIB.
Este volume de recursos envolve obrigações de investimentos em redes de banda larga e a previsão de troca de valores de multas, aplicadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por investimentos com acordo de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs).
Para a próxima semana, Ferrari disse, sem adiantar detalhes, que é esperada a definição de novas regras de conteúdo local no setor de petróleo. Ele destacou que o segmento que representa outros 10% da economia brasileira. Também dentro da definição da agenda microeconômica, o técnico do
governo já são contabilizados êxitos com a sanção da lei que flexibiliza a participação da Petrobras nos leilões de présal, no envio da MP de participação da Petrobras nos leilões de présal, no envio da MP de renovação das concessões ao Congresso e na previsão de ajustes nas regras de desapropriações para fazer deslanchar empreendimentos de infraestrutura.
Fonte: Valor - Brasil, por Rafael Bitencourt, 06/12/2016

