6/12/2013 09:52:10
Abecip espera crescimento de até 20% no crédito em 2014
O mercado de crédito imobiliário deve crescer entre 15% e 20% no próximo ano, segundo estimativa de Octavio de Lazari Junior, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). O executivo traçou um cenário do setor durante encontro empresarial “Perspectivas para o Brasil em 2014 e tendências para o mercado imobiliário”, promovido pela Fiabci/Brasil e o Secovi-SP, em 3 de dezembro.
Além das boas condições de emprego e renda, as projeções da entidade encontram respaldo na recuperação das empresas de construção e no apetite dos bancos pelo segmento. “Finalmente todos os bancos conseguiram enxergar que o crédito imobiliário não é um produto de prateleira, mas alça de mira”, acrescentou. Na avaliação de Lazari Junior, estão todos absolutamente confiantes em colocar dinheiro neste segmento.
O presidente da Fiabci/Brasil, Basilio Jafet disse estar perplexo com o atual estado de coisas no país. “Como é possível que o nosso PIB cresça menos que o da Colômbia, México, Peru e Chile; que o governo se contente em estacionar a inflação na faixa de 6% ao ano, dizendo que nós estamos em um caminho virtuoso”, questionou.
Entre os desafios para 2014, Jafet observou que finalmente a Copa chegou e o país será a vitrine do mundo por alguns meses no próximo ano. “E o que vamos mostrar? Como estamos no campo da infraestrutura, logística, segurança jurídica?”, questionou. Outro ponto crítico na sua avaliação é o regime tributário do país, “cujo único objetivo é extorquir cada vez mais os setores que produzem”, sem as contrapartidas adequadas. “Tudo isso nos preocupa e nos deixa perplexos.” Para Cláudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, o próximo ano será emblemático. “Com Copa e eleições, estou ansioso para saber o que vai acontecer em 2014.”
Carlos Eduardo Terepins, diretor-presidente da Even, declarou que o grande volume de lançamentos imobiliários concentrado no quarto trimestre causa certa preocupação. “Isso deve reduzir a velocidade de vendas no início de 2014.” Com relação ao impacto da implantação do Plano Diretor na capital, o executivo considera que vivemos um grau ‘elevadíssimo’ de insegurança jurídica. “A inquietação é procedente; haverá repercussões. Mas o mercado é resiliente e com certeza encontraremos novas fronteiras”, ponderou. Um dos reflexos já observado por ele é a alta no preço dos terrenos em áreas que serão impactadas pelo Plano Diretor.
Cauteloso, Terepins preferiu restringir sua análise apenas aos mercados em que tem maior atuação: Rio de Janeiro e São Paulo. “Acredito que vamos atingir recorde de lançamentos neste ano em São Paulo, puxado pelos resultados do quarto trimestre”.
Desaceleração no comercial - No segmento de imóveis comerciais, a CEO da Cushman & Wakefield para a América do Sul, Celina Antunes, observou que os estoques vão crescer em 2014 e que o mercado está em desaceleração, mas não em crise. “O volume de investimento que entrava no Brasil caiu bastante e agora está mais concentrado no longo prazo (10 anos ou mais), com reflexo direto na taxa de vacância. Hoje os prédios estão demorando um pouco mais para serem ocupados.” Segundo Celina, os preços devem subir um pouco no próximo ano, devido a qualidade superior dos estoques. Pelas projeções da Cushman & Wakefield, os mercados do Rio e São Paulo devem entrar em uma curva ascendente em 2015, mas tudo dependerá dos rumos da economia.
Com foco no cenário político, o jornalista Heródoto Barbeiro afirmou que a pergunta chave para o próximo ano será qual a participação que o Estado terá na economia. Essa questão se tornou maior, de acordo com ele, após a crise financeira internacional de 2008, quando a intervenção do estado evitou uma desaceleração maior da economia. As concessões de aeroportos com participação da Infraero e da Petrobras nos campos do pré-sal são exemplos mais recentes dessa intervenção. “É uma questão estrutural que merece reflexão.”
“Veremos mais uma disputa nas urnas pelo Brasil Real; que não somos nós, mas aquele do Bolsa Família, a base da pirâmide. Se não fosse assim o Tiririca não teria um milhão de votos”, disse Barbeiro. O extenso noticiário com denúncias de mensalão, fraudes e intrigas políticas não chegam a esse público, segundo Barbeiro, portanto, não definem a eleição. O preço da gasolina e a chegada de médicos cubanos, por exemplo, são temas que mexem com essa base da pirâmide.
Fonte: SindusCon-SP, 06/12/2013

