A ansiedade sobre a reforma da Previdência pode garantir mais uma semana agitada nos mercados financeiros domésticos, que ainda terão de decifrar as sinalizações do Banco Central (BC) sobre os próximos passos da política monetária.
O pregão desta segunda deve repercutir o encontro entre o presidente Michel Temer e o futuro presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, ocorrido no sábado. Após o encontro, Alckmin foi lacônico ao comentar: "Presidente, conte conosco". O teor da conversa ganha importância após Alckmin ter dito, na sexta, que a legenda apoiará a reforma da Previdência.
A data inicialmente prevista para votação do texto da reforma na Câmara dos Deputados era o próximo dia 6. Mas declarações de integrantes do chamado centrão e até mesmo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), esfriaram apostas de que o governo conseguirá avançar com a pauta nos próximos dias. Foi essa virada de percepção que ditou a alta de quase 2% do dólar no acumulado de quarta e quinta-feira e o salto de mais de 20 pontos-base dos juros longos no mesmo período.
A despeito do ajuste de preços já ocorrido, o profissional da área de juros de uma atuante instituição financeira diz que o mercado ainda pode piorar mais, caso se oficialize a não votação da reforma neste ano. "O mercado tem menos para piorar agora, mas ainda acho que haveria uma reação imediata", diz.
Além das negociações sobre a reforma da Previdência, investidores vão se debruçar nesta semana sobre as indicações do Comitê de Política Monetária (Copom) após o esperado novo corte da Selic - provavelmente de 0,50 ponto percentual - na quarta-feira. Com uma redução nessa magnitude, o juro básico cairá para 7% ao ano.
Para o Itaú Unibanco, o colegiado do BC "deve sinalizar a possibilidade de uma flexibilização monetária adicional no início de 2018", caso o cenário básico evolua conforme o esperado e o balanço de riscos não se altere. Mas não deve se comprometer com nenhum curso pré-definido. O Itaú espera redução de 0,50 ponto nesta semana e outra no mesmo ritmo em fevereiro, o que levaria a Selic a atingir novo piso histórico, de 6,5%.
O Nomura diz que a ausência da reforma em 2017 "provavelmente não alteraria" o plano do BC de levar o juro a 7% na quarta. "Por outro lado, ′alguma reforma da Previdência′ poderia fazer o Copom cortar mais os juros no primeiro trimestre do ano [que vem]", dizem estrategistas do banco. Os profissionais avaliam que os riscos continuam voltados para uma Selic abaixo de 7% ao longo de 2018. Dessa forma, recomendam posição vendida em juro (que ganha com a queda da taxa) com vencimento em janeiro de 2019, no qual investidores negociam apostas para a evolução da Selic durante o próximo ano.
Fonte: Valor - Finanças, por José de Castro e Lucas Hirata , 04/12/2017

