Após seis quedas consecutivas, o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 2 pontos entre outubro e novembro, para 145,8 pontos. Foi a primeira elevação desde abril (43,4 pontos), “fundo do poço” na atividade econômica causada pela pandemia.

Incertezas em relação ao combate no avanço recente de alta de casos de covid-19 no país, aliadas a dúvidas na questão fiscal brasileira, levaram ao resultado, segundo Anna Carolina Gouveia, economista da FGV.

Para ela, a trajetória futura da covid-19 no país, bem como possível linha de ação do governo no tema, definirão ritmo de incerteza com a economia brasileira, nos próximos meses.

No indicador, divulgado ontem, a FGV apurou que, de outubro para novembro, nos dois tópicos usados para cálculo do IIE-Br, a evolução do componente Mídia foi o que impulsionou a nova elevação do índice.

Esse tópico subiu 3,6 pontos, para 129,6 pontos, impulsionado por frequência de notícias, de maior número de casos da doença no país - bem como comentários sobre possivel impacto na atividade. Já o componente Expectativas caiu 2,3 pontos, para 192 pontos.

Na análise da técnica, os próximos resultados do indicador serão influenciado por medidas de ação do governo, para lidar com o atual aumento no número de casos. “O cenário está muito aberto, em relação ao que governo vai fazer em relação à pandemia”, afirmou. “E é muito difícil afirmar se essa tendência de alta [no número de casos de covid-19] vai continuar", completou ela.

Além disso, fatores institucionais sobre a questão da pandemia em si também ajudam a manter em alta o indicador de incerteza, acrescentou ela. “Por exemplo, não temos até agora um calendário oficial de vacinação para 2021; como vai ser, quem vai ser vacinado primeiro”, afirmou, acrescentando que notícias favoráveis sobre vacina poderiam ajudar a reduzir novamente o índice.

Outro aspecto que não ajuda a reduzir o índice é a ausência de informações claras sobre questão fiscal brasileira. A especialista nota que o ano está acabando e não se sabe detalhes sobre Orçamento em 2021. Isso conduz a uma série de dúvidas no mercado de como o país pretende lidar com as contas públicas.

A especialista alertou que, com a alta de novembro, influenciada por todos esses fatores, o indicador de incerteza da fundação está cada vez mais se afastando da média história de 115 pontos, observada em cenário pré-pandemia, “que já não era muito confortável”, acrescentou ela. “De março até novembro, temos uma média de 167 pontos no indicador; uma média absurdamente elevada”, alertou ela. Ela acrescentou que, pelo menos até o momento, não há indicação de que essa média possa se reduzir.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva - do Rio, 01/12/2020