Embora a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre tenha sido pequena, ela confirma a avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de recuperação gradual da economia, que já começa a caminhar com força própria.

No primeiro trimestre, o PIB havia sido puxado pelo setor agrícola. No segundo trimestre, o que fez a diferença foram: a liberação dos recursos de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a queda da inflação, que aumentou a renda real da população.

A grande dúvida era se, no terceiro trimestre, quando houve apenas um resíduo da liberação dos recursos do FGTS, a economia conseguiria manter um nível mínimo de sustentação.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre cresceu 0,1% em relação ao período imediatamente anterior. É o terceiro trimestre seguido de alta.

O cenário negativo seria a economia despencar, depois de terminados os impulsos do primeiro semestre. No Banco Central, porém, a aposta era de que houvesse uma continuidade da recuperação, amparada pela virada do mercado de trabalho. Nada pujante, mas suficiente para sinalizar que a trajetória de recuperação é consistente.

Daqui por diante, salvo alguma surpresa negativa, a tendência seria de continuidade, com a melhora do humor de consumidores e empresários, recuperação do crédito a pessoas físicas e disseminação dos estímulos monetários.

Nesta manhã, o Banco Central, que está no período de silêncio e decide a nova taxa de juros em reunião do Copom na quarta-feira, não fez nenhum comentário sobre os dados do IBGE.

O Banco Central também não divulga projeções para o PIB trimestral. Mas a análise do conjunto da comunicação institucional da autoridade monetária parece indicar que, qualitativamente, era esperado um percentual ao redor de zero ? levemente positivo ou mesmo levemente negativo ? em linha com a sua projeção de uma expansão da economia de 0,7% neste ano.

Essa projeção poderia ser aumentada pelo BC devido à revisão do PIB do primeiro e segundo trimestres, mas os números do terceiro trimestre parecem em linha com o esperado. Na reunião de agosto, o Copom havia debatido os ?os dados mais suaves de atividade referentes ao mês de agosto?. Os dados do PIB mostram que os componentes da demanda doméstica privada tiveram crescimento, com avanço de 1,2% no consumo das famílias e alta de 1,6% nos investimentos.

Já vinha ocorrendo recuperação no consumo, puxada pela melhora do mercado de trabalho, pela queda da inflação e pela gradual retomada do crédito para as famílias. A aposta do BC era que, na sequência, haveria uma retomada dos investimentos.

A autoridade monetária divulgou estudo, em seu Relatório de Inflação de março, mostrando que pode haver crescimento de investimento mesmo quando a indústria tem um nível mais alto de capacidade ociosa.

O diagnóstico apresentado é que, até pouco tempo atrás, o pessimismo sobre o futuro da economia era tão grande que o empresariado havia deixado de investir até o básico para a manutenção. Isso significava um desinvestimento via depreciação. Os dados isolados mais recentes, porém, já sugeriam que as empresas estavam pelo menos fazendo a manutenção.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Alex Ribeiro, 01/12/2017