A conveniência de clientes e colaboradores é o principal motivador dos projetos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos no setor financeiro. Ao aprimorar a experiência digital, a tecnologia melhora a interação com o público, permitindo o relacionamento cada vez mais personalizado.

Pesquisa realizada este ano pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) mostrou as preferências do setor em relação aos investimentos em novas tecnologias: 72% das 22 instituições financeiras que participaram do levantamento disseram que destinaram recursos financeiros a projetos relacionados a IA.

 

O Bradesco, que desde 2016 usa a tecnologia como canal de atendimento aos clientes, pretende implementar novas funcionalidades de planejamento financeiro na plataforma BIA. O cliente poderá esclarecer dúvidas e receber recomendações de investimentos.

Segundo André Duarte, diretor de gestão de dados do Bradesco, a BIA tem capacidade para dar respostas sobre todos os produtos do banco e de realizar transações importantes, como saldo, captura de reclamações do SAC e oferta de crédito. “Estamos agregando cada vez mais transações, como consulta do extrato, limites de cartões e renovação de aplicações de CDB”, diz ele.

O Santander, que investe R$ 100 milhões por ano em IA, ativou em junho o projeto de atendimento ao clientes. A partir de dezembro, quando termina a fase de piloto, o canal estará disponível para atender as demandas de todos os clientes do banco. Até o momento, foram registrados 4 milhões de acessos. Marino Aguiar, diretor de tecnologia e inovação do Santander, diz que entre 20% e 30% dos clientes são recorrentes no atendimento virtual. “Eles ficam satisfeitos com a atendimento e voltam a acessar o canal”.

No ano passado, o Original começou a intensificar o uso da IA a partir de uma parceria com a IBM, fornecedora da plataforma Watson. O projeto, que se iniciou com o atendimento aos clientes, avançou para o público interno. Hoje, 90% do atendimento aos clientes é feito pela plataforma Watson, que recebe mil chamadas por mês.

Segundo Raul Moreira, diretor executivo de TI, produtos, open banking e operações do banco, estão em andamento testes com cerca de 20 tipos de transações bancárias. “Uma experiência exitosa foi o pré-cadastramento de 70 mil chaves do PIX”, diz ele..

A gestão de finanças pessoais é uma das abordagens do Banco Bari com IA. No próximo ano está previsto entrar em operação projeto que possibilitará fazer recomendações personalizadas de investimentos de acordo com o perfil financeiro do cliente, informa Ricardo Sanfelice, diretor de marketing e digital da instituição.

O crédito com garantia de imóvel (home equity) é outra área a ser contemplada pelo uso da IA. Para o executivo, a tecnologia pode consolidar essa oferta como principal produto do banco no mercado financeiro. “É um produto que envolve uma esteira operacional muito robusta, pois há grande complexidade no modelo de avaliação e contratação”, diz.

 

O Citi implementou soluções baseadas na tecnologia de IA que automatizam o sistema de reconciliação de operações de pagamentos e de recebimentos dos seus clientes corporativos. Ambas foram desenvolvidas em nível global e, segundo Leandro Quintal, responsável por produtos e canais eletrônico do banco, “geram eficiência e resolvem uma dor antiga das empresas”.

Para ajudar bancos emissores de cartão e credenciadoras responsáveis pelo processamento das transações a mitigar o riscos de fraudes, a Mastercard anunciou o lançamento da plataforma Cyber Secure, que fornece a lista dos cartões que podem ser fraudados e o dos que já foram vazados.

A plataforma também permite classificar o nível de exposição do ambiente digital das organizações, a partir de uma varredura que identifica os riscos mais frequentes, fornecendo relatório das recomendações necessárias para evitar as ameaças, conta Felippe Galeb, diretor de cyber & intelligence solutions da Mastercard.

A startup Allê Invest desenvolveu uma solução baseada em IA que auxilia as instituições financeiras na gestão da carteira administrada de investimento e na escolha de produtos financeiros de acordo com o perfil de risco e objetivo de cada usuário.

Atualmente, atende seis instituições que administram uma carteira de R$ 26 bilhões. A meta da Allê Invest, porém, é fornecer a solução diretamente o usuário final, contemplando um universo de 500 mil pessoas e um volume de R$ 100 bilhões em recursos sob gestão da ferramenta, conta Luiz Macedo, CEO da empresa.


Fonte: Valor Econômico - Suplementos, por Inaldo Cristoni - para o Valor, de São Paulo, 30/11/2020