Para que o Brasil chegue a 2033 com 99% de cobertura de água e 93% de esgoto são necessários R$ 311,3 bilhões de investimentos em saneamento, afirmou nesta segundafeira Flávio Crivellari, diretor da companhia de saneamento Aegea. Atualmente, metade desse montante é investido.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, que considera fossas como coleta, o índice de cobertura de esgoto é de 72%. Excluindo fossas, esse percentual cai para 50%, sendo que, destes, 20% do esgoto não é tratado.
Não falta dinheiro para projetos de saneamento, afirmou Crivellari, que participou hoje do evento “Como dinamizar o setor de infraestrutura”, promovido pelo Valor. “Foi preservado funding para esse tipo de projeto, tanto na Caixa quanto no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Tem dinheiro disponível do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador] e do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço]. O que falta são projetos disponíveis, o que explica 30% do problema”, disse.
Das 26 companhias estaduais de saneamento, como a Sabesp e a Copasa, por exemplo, 20 não geram caixa operacional nem para pagar as despesas correntes, citou o diretor da Aegea. Ao contrário dos setores de rodovias e energia, o de saneamento tem pouca participação do setor privado, apontou Crivellari: apenas 5% da população brasileira é atendida por empresas de capital privado de saneamento.
“Tem dinheiro, interesse privado e um bom modelo. É preciso um aperfeiçoamento nos projetos, para que haja mais projetos em que possamos investir.” Para isso, ele sugeriu Parcerias PúblicoPrivadas (PPPs). “O efeito direto disso é a diminuição rápida do número de doenças ligadas ao saneamento”, disse, citando como exemplo a cidade de Campo Grande (MS). A capital teve queda de 91% no número de casos registrados entre 2006 e 2015, período em que a cobertura de esgoto subiu de 29% para mais 80% da população.
Desde 2000, os serviços de saneamento da cidade são administrados pela empresa Águas Guariroba, que hoje faz parte da Aegea.
Fonte: Valor - Brasil, por Arícia Martins e Alessandra Bellotto, 28/11/2016

