A perspectiva de aumento dos preços de aluguel de galpões e escritórios comerciais levou a gestora de recursos focada no mercado imobiliário VBI Real Estate a fazer, neste ano, seu maior comprometimento de recursos nos dois segmentos desde 2012. Os investimentos para aquisições de galpões somam R$ 800 milhões, e os aportes para projetos sob medida (“build to suit”) no segmento, R$ 320 milhões. Em escritórios, as opções de compra de terrenos chegam a R$ 140 milhões, o que resultará em R$ 500 milhões comprometidos com projetos.
“Estamos no início de retomada dos ciclos de galpões e escritórios. Haverá valorização dos aluguéis e, consequentemente, apreciação dos ativos”, afirma Rodrigo Abbud, sócio da gestora, acrescentando que espera que os preços de locação se recomponham, em três ou quatro anos, retornando aos patamares reais de 2011 e 2012, quando ocorreram os picos de preços. Os planos da gestora consideram a retomada do crescimento econômico do país a partir do próximo ano.
Segundo Abbud, há muita demanda por galpões construídos sob medida por parte de empresas de comércio eletrônico e operadores logísticos. “A necessidade de rapidez nas entregas está muito grande”, ressalta o sócio da gestora. Alguns ocupantes têm preferido fechar contrato de “build to suit” e esperar até que seja erguido um empreendimento que atenda, exatamente, suas necessidades a se mudar para um galpão pronto, mas sem todas as especificidades buscadas, por exemplo, de automação, de acordo com o executivo.
O sócio da VBI conta que as consultas sobre construção sob medida crescem também no segmento de escritórios, por parte de empresas de serviços e tecnologia que “começam a crescer e a consolidar a ocupação de áreas”. Dos 100 mil metros quadrados de projetos de escritórios de alto padrão para os quais que a gestora pretende obter licenças em 2020, 40% se referem a dois empreendimentos nesse modelo. Todos os terrenos de que a VBI tem opções de compra para desenvolvimento de escritórios estão localizados na região do Jardins, na cidade de São Paulo.
Considerando-se o portfólio de ativos prontos da VBI, o segmento de escritórios responde pela maior fatia, de 34,4%, enquanto galpões têm participação de 30,1%. Se considerados os ativos em desenvolvimento, porém, a maior aposta da gestora está em projetos de galpões.
No segmento de moradias estudantis, a VBI comprou o controle da operadora ULiving há pouco mais de quatro anos. Em junho, a VBI e o londrino Grosvenor Group constituíram joint venture no segmento, na qual a gestora inglesa tem 80%. Os ativos prontos de residências estudantis correspondem a 8,6% do total dos empreendimentos prontos da VBI.
A participação do segmento residencial também é de 8,6% do portfólio. A gestora não investe mais em projetos residenciais por considerar que não faz sentido apostar no segmento sem ter uma empresa com foco nas demandas relacionadas ao ciclo longo. Não há novos investimentos em curso em shopping centers, cuja fatia de ativos prontos chega a 7,5% do total. A VBI atua ainda em operações de dívida por meio de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).
Fonte: Valor-Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 22/11/2019

