Na segunda-feira (20), o Brasil bateu a marca de 1000 parques eólicos em operação de teste e comercial. O marco significa que o país detém 29,6 gigawatts (GW) de capacidade instalada, o que coloca o Brasil como sexto do ranking mundial, atrás apenas de China (365,9 GW), Estados Unidos (140,8 GW), Alemanha (66,2 GW), Índia (41,9 GW) e Espanha (32,8 GW).
Nas últimas duas décadas, a fonte dos ventos contou com uma forte política estatal de incentivos como pilar de sustentação ao crescimento, sendo o primeiro parque no Brasil inaugurado em 2002, ano da criação do Proinfa (Programa de Incentivo a Fontes Alternativas). Em 2009, ocorreu o segundo leilão de energia reserva (LER), marcando o primeiro leilão de comercialização de energia voltado exclusivamente para a fonte eólica.
Entre os recentes projetos que tiveram autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para operar em fase de teste estão dois parques do complexo eólico Novo Horizonte, o primeiro da Pan American Energy no Brasil. Ele é formado por 10 parques, totalizando 423 MW de capacidade instalada. Os parques estão localizados em seis municípios da Bahia. A empresa investiu R$ 3 bilhões, sendo que R$ 1,2 bilhão foi obtido por meio de empréstimos do BNDES e do Banco do Nordeste (BNB).
Apesar da trajetória de crescimento, o setor passa por percalços, com fabricantes parando de produzir e preços de energia abaixo do custo marginal de expansão. Ao Valor, a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoun, diz que, atualmente, existem quase 10 mil turbinas operando no Brasil e, na última década, o Brasil cresceu entre 2 GW a 3 GW por ano.
Tendo em vista a transição energética, crescimento da demanda e florescimento das eólicas em alto-mar (offshore), a executiva prevê um crescimento muito mais acelerado do setor.
“Com essa perspectiva de hidrogênio verde e crescimento da economia, o crescimento deve superar quase 5 GW por ano e, para chegar a mais outros 1000 parques, vamos demorar muito menos tempo”, afirma.
O ano de 2023 se encerrará com mais de 30 GW de capacidade instalada. Segundo Gannoun, a perspectiva é também o fortalecimento de uma indústria nacional, mesmo diante dos atuais solavancos que o setor passa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2022/d/w/LI3NfQTBisjojiuuUIPA/parque-eolico-em-caetes-rep.png)
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Robson Rodrigues, Valor — São Paulo, 21/11/2023

