Os reguladores chineses elaboram uma lista de 50 incorporadoras imobiliárias que serviria de base para orientar o apoio financeiro dos bancos ao setor, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

China Vanke, Seazen e Longfor estão entre as empresas em um rascunho da chamada lista branca, disseram as pessoas, que pediram anonimato.

A lista, que inclui incorporadoras privadas e estatais, serviria de guia para as instituições financeiras avaliarem apoio através de empréstimos e emissões de dívida e de ações, disseram as pessoas.

A relação, que ainda não foi finalizada, iria além de nomes considerados “sistemicamente importantes”. O documento ressalta as preocupações crescentes do governo em Pequim com o setor, em meio a um inadimplência recorde de dívida corporativa, uma série de condomínios inacabados e uma profunda contração no investimento imobiliário que ameaça o crescimento econômico.

Os maiores bancos, corretoras e gestoras de recursos da China foram instruídos a atender todas as necessidades de financiamento “razoáveis” de empresas do setor imobiliário em uma reunião na sexta-feira com os principais reguladores financeiros, de acordo com um comunicado do governo que não mencionou a lista branca. As instituições financeiras também foram solicitadas a “tratar da mesma forma as incorporadoras privadas e estatais” em relação a empréstimos.

Os reguladores pediram aos bancos que garantissem que a concessão de empréstimos a construtoras privadas crescesse ao mesmo ritmo que a média da indústria, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

O Banco Popular da China (PBoC, o banco central do país), a Administração Nacional de Regulamentação Financeira, a Seazen e a Longfor não responderam imediatamente a pedidos de comentários. A Vanke não quis comentar.

A crise imobiliária da China continua a ser um sério obstáculo à economia, embora outros indicadores, como a produção industrial, tenham registado alguma melhora nos últimos meses.

Apesar de todos os esforços do governo, o setor imobiliário sofreu uma contração de 2,7% no terceiro trimestre, a maior do ano. Os preços de imóveis residenciais tiveram a maior queda em oito anos em outubro.

“Os resultados até agora foram decepcionantes, porque as medidas se concentram principalmente no aumento da demanda, mas ignoraram o lado da oferta, como as necessidades de financiamento das incorporadoras”, disse Larry Hu, economistas do Macquarie Group.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Bloomberg , 20/11/2023