O Brasil cresceu um pouco mais que o estimado entre os anos de 2012 e 2013. Na soma dos dois anos, o PIB ficou 0,4 ponto percentual maior após a revisão divulgada pelo IBGE. Esse percentual não ajuda a elevar a média do crescimento da atividade econômica no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, mas o detalhamento mostra um pouco mais de investimento, com maior peso da construção civil, e reflete os ajustes decorrentes da incorporação das pesquisas anuais aos dados antes provisórios do PIB.
Pelos dados divulgados ontem, a taxa de investimento chegou a 20,9% do PIB em 2013. Antes, estava estimada em 20,5%. Agora definitivos, os dados mostram que entre 2010 e 2013 aumentou o investimento em construção civil em relação aos gastos em máquinas e equipamentos.
Em 2010, 49,7% das despesas em formação bruta de capital fixo foram em construção, percentual que foi de 51,2% em 2013, período em que os gastos em máquinas e equipamentos caiu de 39% para 37,8%. Também aumentou proporcionalmente o investimento em produtos de propriedade intelectual (softwares e pesquisa e desenvolvimento, por exemplo).
Dentro da construção, o crescimento foi puxado pelas obras residenciais. O peso desse segmento passou de 20% para 22,4% entre 2010 e 2013, refletindo o boom imobiliário do período. Pela ótica da renda, os dados do PIB mostram que a participação do fator trabalho aumentou. O peso da remuneração dos empregados no PIB passou de 41,6% em 2010 para 43,4% em 2013.
Na produção, na soma de 2012 e 2013, uma das maiores mudanças (e que ajudaram o crescimento) foi no cálculo do segmento "eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana", que fica dentro da indústria. Na média dos dois anos, havia crescido 0,8 ponto, ritmo que agora os dados mostram que foi de 2,3 pontos percentuais. A maior diferença foi em 2013, quando a alta assou de 0,4 ponto para 1,6 ponto. O peso do setor no PIB, contudo, é pequeno: menos de 2% em 2013.
A indústria de transformação também mostrou uma mudança, mas o setor cresceu bem menos em 2012, e mais em 2013, sendo que, na média, o resultado ficou menor, derrubando ainda mais sua participação no PIB.
Fonte: Valor - Brasil, por Denise Neumann , 18/11/2015

