O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos, poderá viabilizar pequenos negócios.
“O Pix dá amplo acesso a todos. Existem pequenos negócios que não eram viáveis porque as transferências são muito caras, então gera viabilidade”, afirmou.
Segundo o presidente do BC, a ferramenta também poderá gerar inclusão financeira. “Precisamos lembrar que há cidades que não têm ATM [caixa eletrônico] e agência, a pessoa que tem uma lojinha e precisa ir à outra cidade depositar o dinheiro”, pontuou.
As declarações foram feitas durante cerimônia de lançamento oficial do sistema de pagamentos instantâneos.
Campos Neto ressaltou que as funcionalidades da nova tecnologia serão implementadas aos poucos.
“Existem desenvolvimentos futuros do Pix que não sabemos hoje, que vai surgir das demandas das pessoas”, disse.
Depois de duas semanas de fase restrita, funcionando em horários específicos e com quantidade limitada de usuários, o Pix ficou disponível nesta segunda-feira (16) para todos os clientes das instituições financeiras cadastradas.
O chefe do departamento de competição do BC, Ângelo Duarte, disse que no período restrito as pessoas não fizeram apenas operações de teste.
“Alguns mandaram valores muito pequenos, vimos que era para teste, mas também observamos valores mais altos, a quantia média foi de R$ 400. Então foram feitas transações reais, não só experimentais”, contou.
Segundo o BC, 19 instituições foram desclassificadas durante essa fase e terão que fazer novamente o processo de autorização caso queiram entrar no sistema.
O cadastro para homologação reabre em 1º de dezembro para os bancos que ainda não aderiram ao Pix. Com isso, 734 instituições podem oferecer o serviço.
Aplicativos de alguns bancos apresentaram instabilidade pela manhã, mas o BC afirmou que os erros estão sendo corrigidos e que o percentual de operações não concluídas foi pequeno.
“A máquina de liquidação, que é gerenciada pelo Banco Central, e de dados não apresentou problema nenhum”, assegurou Campos Neto.
“Grande parte das operações não realizadas se deve a erros de digitação ou padronização. Não é permitido mandar Pix para conta-salário, por exemplo, e, quando houve tentativa, a transação não foi concluída”, disse o diretor de organização do sistema financeiro, João Manoel Pinho de Mello.
Quando a operação não é concluída, o dinheiro não sai da conta do pagador.
Durante a cerimônia, Campos Neto também afirmou que o Pix pode gerar verticalização no comércio e reduzir intermediários entre compradores e vendedores.
“Foi iniciado um processo de verticalização de vendas, é um processo que vai mudar muito o mercado financeiro. Você vai passar a ter texto, mensageria, o conteúdo e o pagamento numa cadeia integrada. Quanto melhor for a experiência do usuário, mais integrado e disponível vai ser”, disse.
A verticalização é um conceito empresarial em que uma companhia concentra todos os processos para a produção de um produto.
“Vamos passar a registrar ativos em ambiente eletrônico, no processo que chamamos de tokenização, isso faz com que o acesso seja mais fácil e elimina intermediário em vários processos de venda”, destacou.
Na cerimônia, o presidente do BC fez uma doação com Pix à Associação dos Amigos do Museu de Valores da autoridade monetária. O valor, porém, não foi informado.
Apenas nesta segunda, até as 18h, foram 1 milhão de operações, o equivalente a R$ 777 milhões, segundo o BC.
Até domingo (15), haviam sido cadastradas 71 milhões de chaves e realizadas quase de 2 milhões de transações entre instituições diferentes, o equivalente a R$ 780 milhões na fase restrita.
O registro das chaves de clientes começou em 5 de outubro, e uma pessoa pode fazer até cinco por conta-corrente, e uma empresa, até 20.
No cadastro das chaves, o usuário vincula ao número do celular ou ao endereço de email, por exemplo, as informações pessoais e bancárias dele.
Ao todo, 30 milhões de pessoas e 1,7 milhão de empresas cadastraram chaves. Entre elas, 17 milhões vincularam ao número de celular, 12 milhões, ao email, 1,4 milhão, ao CPF (Cadastro de Pessoa Física) e 14 milhões usaram chaves aleatórias.
Na prática, quem fizer o cadastramento das chaves não vai precisar informar todos os seus dados na hora de transferir dinheiro ou pagar conta pelo Pix, ela precisará apenas falar a chave cadastrada (CPF, email ou número de celular, por exemplo).
O Pix permite fazer pagamentos e mandar dinheiro para outra pessoa ou empresa de maneira instantânea (em menos de 10 segundos) e independentemente de qual seja a instituição de recebimento.
Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Larissa Garcia - de Brasília, 17/11/2020

