Uma resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) sobre investimentos dos regimes de previdência de servidores pode diminuir a rentabilidade dos fundos e os forçar a aumentar a alíquota descontada de funcionários.

A afirmação é do consultor de previdência da Câmara dos Deputados, Leonardo Rolim.

As normas diminuíram o teto de investimentos em fundos imobiliários e de participação em empresas.

"Na prática, os investimentos possíveis serão título público e Bolsa. Inviabilizaram aplicações em Fidcs (fundo de recebíveis), FIPs (de participação) e em imóveis."

Papéis de governo vão render menos com as taxas de juros, e os gestores das entidades de servidores públicos têm receio de renda variável, por sua natureza volátil.

Os fundos devem baixar suas metas -hoje, estão em cerca de 6% de rendimento real ao ano, e isso deve ir para cerca de 4,5%, afirma.

Caso não alcancem as novas metas, prefeituras e governos estaduais precisarão cobrar mais dos trabalhadores. Cabe ainda usar o caixa dos entes federativos, mas é uma hipótese remota.

Há um projeto de lei no Senado para mudar as regras sobre essas aplicações.

"A resolução pode ser alterada, e nós faremos movimentos para isso", diz Celso Steremberg, da Acinprev (associação de consultorias).

Para o corpo técnico da Secretaria da Previdência ouvido pela coluna, as regras aumentam opções ao permitir aportes em novas possibilidades, como debêntures.


Fonte: Folha de São Paulo - Mercado Aberto, por Maria Cristina Frias, 17/11/2017