O grupo Camargo Corrêa vai reavaliar sua presença na atividade de obras públicas no país. Não é a única grande construtora a questionar sua participação no segmento. O envolvimento do nome das empreiteiras no esquema de corrupção na Petrobras trouxe um custo de imagem e um risco que jogam para segundo plano os resultados que possam ser obtidos nessa área.
Segundo apurou o Valor, as três filhas e herdeiras de Sebastião Camargo, fundador do grupo, têm manifestado preocupações sobre a companhia que deixarão aos filhos, alguns já começando a ocupar posições no grupo. Hoje, o principal negócio é a produção de cimento, no Brasil e no exterior, seguida da engenharia e construção pesada, mas o grupo é também controlador da Alpargatas, CPFL Energia e CCR (concessão de rodovias), todas com ações em bolsa, e tem metade do Estaleiro Atlântico Sul (EAS).
Não há ainda decisão sobre manter ou não a área de engenharia e construção, mas o grupo já decidiu reduzir drasticamente a participação em obras públicas, à exceção das realizadas por meio de parcerias público-privadas (PPPs) e desde que a responsabilidade pelo projeto fique com o investidor. Atualmente, as obras públicas das quais participam no país - as mais relevantes são a ferrovia Norte-Sul, Ponte da Laguna, em Santa Catarina e refinaria Abreu e Lima - respondem por 20% da receita prevista para a área de construção, estimada em R$ 6 bilhões em 2014. Toda a construção e engenharia traz 23% da receita total do grupo - de R$ 26 bilhões -, sendo 9% em obras públicas no Brasil e no exterior.
A continuidade da construção pesada dependerá ainda do resultado da carteira de projetos do setor privado, que teve forte retração desde 2012. A intenção é que setor público não represente mais que 10% da receita da construtora. Se isso não acontecer, a hipótese de encerrar a atividade volta à mesa.
A Camargo já decidiu ficar fora das chamadas "obras commodities", como licitações de rodovias do Dnit, nas quais as margens são de no máximo 6% a 7% e há grande risco associado. Um problema é a baixa qualidade dos projetos básicos de responsabilidade do governo, que levam a pedidos de aditamento durante a construção e, como consequência, entram na mira do TCU. Isso já levou o grupo a ficar fora de obras como Belo Monte.
Fonte: Valor, por Ivo Ribeiro, 14/11/2014

