A exemplo do que ocorreu no terceiro trimestre, quando o mercado doméstico de resinas termoplásticas mostrou forte retração e a Braskem direcionou maior volume de produção às vendas externas, a petroquímica poderá assistir a uma nova rodada de expansão das exportações nos três últimos meses do ano.

Sem arriscar uma previsão para a demanda nacional neste fim de ano, o presidente da companhia, Carlos Fadigas, reiterou  ontem a perspectiva de queda de 5% a 7% no consumo local de resinas no acumulado do ano, enfatizando que, "a essa altura, a tendência está mais para 7% do que para 5%". "É naturalmente um dado ruim, mas estamos tentando contornar da melhor maneira possível, com recuperação de participação de mercado e ampliação das exportações", afirmou. Atualmente, o mercado brasileiro representa cerca de 57% dos negócios da Braskem.

No acumulado ano até setembro, o declínio no mercado doméstico de resinas é de 4,6%, para 3,849 milhões de toneladas, influenciado principalmente pela crise nos setores automotivo e de construção civil. Somente no terceiro trimestre, a demanda de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC no Brasil recuou 11% na comparação anual, para cerca de 1,2 milhão de toneladas.

Nesse ambiente, as vendas domésticas de resinas da Braskem caiu 8% no trimestre, para 866 mil toneladas. Houve, porém, ganho de cinco pontos percentuais de participação de mercado, que passou de 66% para 71%. Ao mesmo tempo, as exportações de resinas subiram 43% na comparação anual, para 454 mil toneladas, e as de petroquímicos básicos cresceram 19% na mesma comparação, para 482 mil toneladas, em momento de spreads elevados e câmbio favorável.

As operações da petroquímica nos Estados Unidos e Europa também foram destaque no terceiro trimestre, com alta de 7% nas vendas de polipropileno, para 502 mil toneladas, "recorde pelo segundo trimestre consecutivo". A taxa de ocupação nas fábricas foi de 97%. De julho a setembro, a maior produtora de resinas das Américas registrou lucro líquido de R$ 1,482 bilhão, mais de seis vezes maior que o ganho apurado um ano antes. Caso a contabilidade de hedge (que protege o balanço do efeito da variação cambial na linha financeira) não tivesse sido adotada pela petroquímica, o resultado final no intervalo corresponderia a um prejuízo de R$ 3,29 bilhões.

A receita líquida trimestral totalizou R$ 13,2 bilhões, com alta de 12% na  comparação anual, beneficiada pela desvalorização do real frente ao dólar e pela manutenção de margens elevadas do setor petroquímico mundial, que compensaram a retração da economia brasileira. Diante disso, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda)  ajustado da Braskem ficou em R$ 3,04 bilhões, o dobro do registrado um ano antes. Conforme Fadigas, entre as prioridades da petroquímica no curto prazo estão o estabelecimento de um contrato permanente de fornecimento de nafta com a Petrobras e a retomada de operação no Polo Petroquímico de Mauá (SP).

As operações na central petroquímica e nas fábricas de resinas da Braskem foram paralisadas há cerca de três semanas por causa de um incêndio e a retomada das operações deve ocorrer na terceira semana deste mês. Questionado sobre perdas  ecorrentes do incidente, o executivo afirmou que não "existe dano físico relevante à unidade". "Mas existe perda por lucros cessantes e nesse sentido a estimativa é de US$ 50 milhões, ou R$ 180 milhões, que terão impacto no quarto trimestre", afirmou.

Em relação às negociações do contrato de nafta com a Petrobras, o executivo reiterou que a fórmula de preços variável apresentada à estatal traria um "equilíbrio para a situação". A Petrobras, porém, não aceita negociar "nada abaixo da  referência internacional [ARA]". "Então a Braskem não quer também nada acima da referência. Aí está o nó da questão." O  quinto aditivo ao contrato que venceu em fevereiro do ano passado tem validade até 15 de dezembro.


Fonte: Valor - Empresas, por Stella Fontes, 06/11/2015