A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) planeja ampliar de forma significativa seu ritmo de investimentos a partir de 2023, segundo o presidente da empresa, Guilherme Duarte. A ideia é flexibilizar as modalidades de contratação para ampliar a capacidade operacional da empresa, diz ele.
Neste ano, até setembro, a empresa investiu ao todo R$ 965,3 milhões, 57% a mais do que no mesmo período de 2021. A meta é chegar a R$ 1,165 bilhão até dezembro, e investir outros R$ 6 bilhões até 2026, segundo o plano aprovado pelo conselho de administração no fim do ano passado.
Duarte, porém, afirma que a companhia tem trabalhado para acelerar o ritmo dos aportes. Para atingir as metas de universalização do novo marco legal do saneamento, o executivo avalia que seria preciso chegar a um patamar de aproximadamente R$ 2 bilhões por ano de investimento.
Hoje, o gargalo é operacional, e não financeiro. A estratégia adotada, portanto, tem sido modernizar a forma de aplicação dos investimentos. “Nosso regulamento de contratação foi atualizado, para que possamos adotar contratos de performance, contratações semi-integradas, em que a licitante apresenta uma solução completa para o problema apresentado. São formas de dar celeridade”, afirma. A ideia é adotar já em 2023 essas modalidades.
Ele também cita a possibilidade de PPPs (Parcerias Público Privadas), mas diz que hoje não há nenhum projeto nesse sentido.
O principal plano do governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é privatizar a Copasa. Para isso, porém, é preciso alterar a Constituição do Estado, que exige a realização de plebiscito para a venda da empresa.
No terceiro trimestre deste ano, a Copasa registrou lucro líquido de R$ 227,2 milhões, o que representa salto em relação ao mesmo período de 2021, quando o lucro foi de R$ 16,4 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi de R$ 515 milhões no trimestre, aumento anual de 117,2%.
Os resultados no terceiro trimestre do ano passado foram fortemente impactados por fatores extraordinários, principalmente o Programa de Desligamento Voluntário Incentivado (PDVI) e as devoluções de cobranças em Belo Horizonte, determinadas pela agência reguladora. Se excluídos esses efeitos, ainda assim haveria alta no Ebitda deste ano, de 9,1%. A receita operacional líquida da companhia foi de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre de 2022, alta anual de 7,2%.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Taís Hirata — São Paulo, 04/11/2022

