A pandemia de covid-19 impactou, negativamente, os preços fechados de aluguel residencial em São Paulo e no Rio de Janeiro, embora os valores pedidos tenham ligeira alta. É o que aponta indicador lançado, ontem, pela plataforma imobiliária digital Quinto Andar, que apura os valores fechados de novas transações de locação residencial.
De junho de 2019 a fevereiro deste ano, a diferença entre preços pedidos e fechados de aluguel era, em média, de 3,7%%. Em São Paulo, essa variação chegou a 10,5% em outubro. No Rio, a maior diferença (13,5%) ocorreu em setembro.
Segundo o gerente sênior de análise de dados do QuintoAndar, Fernando Paiva, essas variações entre o valor pedido e o negociado em contrato resulta de os proprietários estarem tentando garantir renda recorrente. A diferença foi maior nas unidades de um dormitório do que nas de dois e três dormitórios, como reflexo de parte dos inquilinos ter passado a buscar imóveis maiores.
Em outubro, o preço médio do metro quadrado alugado, em São Paulo, ficou em R$ 35,46, com redução de 0,45%. No ano, a queda acumulada foi de 6,2% e, em 12 meses, de 6,08%. Desde maio, o preço tem recuado.
Na capital paulista, as maiores desvalorizações, nos últimos seis meses, foram no Real Parque (32,3%), na Aclimação (27%) e Vila Olímpia (21,7%). Ainda assim, Vila Olímpia liderou o ranking do bairros com valor por metro quadrado mais elevado, com R$ 55,4, seguida por Vila Nova Conceição (R$ 52,2).
No Rio de Janeiro, o indicador apontou preço médio por metro quadrado locado de R$ 29,16. No mês de outubro, houve valorização de 1,47%. Essa tendência teve início em setembro. A queda acumulada, no ano, é de 3,27% e, em 12 meses, de 3,28%. Ipanema e Leblon foram os bairros com valor de aluguel fechado mais elevado, de R$ 50,6 e R$ 45,3, respectivamente.
Para reajustes de contratos em vigor, o principal índice utilizado, no mercado, é o IGP-M, que acumula alta de 18,10%, no ano, e de 20,93% em 12 meses. O cofundador e CEO do QuintoAndar, Gabriel Braga, ressalta que há “descolamento” entre o que é apontado pelo IGP-M e a realidade do mercado de aluguel. Ele acrescenta que índices de preços anunciados também não deixavam claros os valores transacionados. O QuintoAndar pretende ampliar o levantamento para outros mercados.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão ? de São Paulo, 04/11/2020

