A Duratex espera crescimento, no acumulado do ano, pelo menos na mesma proporção registrada de janeiro a setembro, quando a receita consolidada da companhia aumentou 13,1%, na comparação anual, para quase R$ 4 bilhões. “A demanda está extremamente forte”, ressalta o presidente, Antonio Joaquim de Oliveira. No quarto trimestre, o desempenho da companhia tende a continuar semelhante ao do terceiro trimestre, segundo ele.
A retomada “muito forte” das operações da Duratex, a partir de julho, permitiu que a companhia tivesse, no terceiro trimestre, o melhor da sua história, de acordo com o executivo. A companhia informou Ebitda ajustado recorrente recorde de R$ 433,8 milhões, com incremento de 82,3%. O indicador não considera aos investimentos na unidade de celulose solúvel. De julho a setembro, a Duratex elevou seu lucro líquido em 347%, para R$ 123,9 milhões. A receita líquida cresceu 36% para R$ 1,778 bilhão.
As vendas de painéis de madeira aumentaram 38,5%, para 890,294 mil metros cúbicos. Na Deca - divisão de louças, metais sanitários e chuveiros -, o volume comercializado teve alta de 25,3%, para 8,187 milhões de peças. As vendas da Divisão de Revestimentos Cerâmicos cresceram 46,7%, para 7,246 milhões de metros quadrados.
Para atender a todos os pedidos em carteira, a Duratex tem reprogramado entregas e abastecido clientes com prazos maiores. “Os estoques dos clientes estão muito baixos e os nossos também. Isso tem possibilitado trabalhar com baixo capital de giro”, conta Oliveira. Na sua avaliação, como a prioridade é o atendimento a clientes, os níveis de estoque da companhia não irão se normalizar até o primeiro semestre do próximo ano.
“Estamos acrescentando turnos onde é possível”, afirma o presidente. Para aumentar a produção, a Duratex tem feito movimentos também como o da reativação de forno da Deca, em Jundiaí (SP). A companhia investiu R$ 50 milhões na compra de prensa de baixa pressão para ampliar a capacidade de revestimento de painéis a partir do segundo semestre de 2021.
Segundo Oliveira, a Duratex prepara avanços estruturais que deverão ser divulgados em breve. Sem informar detalhes, ele disse que a companhia tem possibilidade de atuação em novos negócios e de ampliar presença nos atuais. “A Duratex avalia integração maior entre revestimentos cerâmicos e Deca”, acrescenta.
Desde o início da pandemia de covid-19, a Duratex foi “do inferno ao paraíso em três meses”, período em que viveu forte queda de pedidos, decorrente do fechamento temporário das lojas de materiais de construção, seguida de procura muito elevada por seus produtos, principalmente para reformas e autoconstrução. Todas as fábricas da Duratex chegaram a ter as atividades paralisadas, “momento mais difícil” vivido por Oliveira como executivo. “Não sabíamos quando voltaríamos. Trabalhamos todos os dias para preparar a companhia para o novo normal. Houve uma recuperação em V, muito rápida”, afirmou Oliveira.
O presidente da Duratex considera os juros muito baixos, que estimulam o consumidor a tomar crédito, como o principal fator para o atual desempenho da indústria de materiais de construção. Em função do grande volume de lançamentos de imóveis residenciais que vem ocorrendo, a companhia vê um cenário “muito positivo” para 2021 e 2022, segundo o executivo.
Oliveira cita também o auxílio emergencial como importante fator para o maior consumo de materiais. Ele reconhece que o fim do benefício terá algum impacto sobre as vendas, mas avalia que o patamar atual de juros e o “movimento mundial de valorização da casa” vão pesar mais. O elevado déficit habitacional brasileiro e a aprovação do marco regulatório do saneamento também contribuem para as boas perspectivas.
Segundo o presidente da Duratex, a estrutura eficiente de custos da companhia tem possibilitado reduzir o impacto da pressão de preços de matérias-primas como resinas e papéis importados. “Fizemos ajustes de preços em todas as linhas para recompor aumentos de custos”, diz o executivo, ressaltando que “nenhum aumento foi especulativo” e que a companhia pretende consolidar os ganhos de participação de mercado obtidos no terceiro trimestre. “Os aumentos de preços foram inferiores a 10%, dependendo de cada linha.”
No trimestre, a Duratex gerou fluxo de caixa livre de R$ 609,7 milhões quando não considerados eventos não recorrentes, como o aporte de R$ 310,7 milhões no projeto de celulose solúvel.
A companhia encerrou o terceiro trimestre com alavancagem medida por dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses de 1,79 vez, bem abaixo do patamar de 2,55 vezes registrado no fim de junho. “A alavancagem ideal seria entre duas e três vezes”, diz o presidente. A Duratex está avaliando com seus acionistas possibilidades de alocação de capital. “Os acionistas querem crescimento e não só pagamento de dividendos”, disse Oliveira.
Em relação a aquisições, o executivo disse que a companhia está preparada para fazer o movimento e comprar concorrentes se houver oportunidades, mas que considera que “alguns ativos estão caros”. Parte do capital poderá ser alocado, organicamente, para aumento de produtividade das divisões da companhia.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - de São Paulo, 04/11/2020

