O próximo ano deve manter o ritmo de recuperação do terceiro trimestre deste ano para a Gerdau. Em teleconferência para comentar os resultados trimestrais, o presidente da siderúrgica, Gustavo Werneck, disse que a demanda por aço deve crescer de 6% a 8% no próximo ano, puxada pela construção civil e por obras de infraestrutura.

“Estamos nos preparados para atender a demanda de curto prazo, temos uma carteira importante de pedidos ate o início de 2021. Acreditamos que esse ritmo deve continuar ao longo do ano”, afirmou o executivo.

No terceiro trimestre, as vendas da companhia somaram 3,18 milhões de toneladas, alta de 4% no comparativo com o mesmo período de 2019. Segundo Werneck, o varejo também apresentou crescimento importante nesses trimestre, mas é um segmento em que a demanda vem aumentando há alguns anos.

“Estamos observando a retomada das obras de infraestrutura, embora em um patamar menor do que em anos anteriores. É uma demanda importante. Teremos obras de metrô, estradas, a infraestrutura vai sustentar o mercado”, ressaltou o executivo.

As estimativas positivas se somam as perspectivas de melhora econômica no país no próximo ano. Segundo o diretor de relações com investidores, Harley Scardoelli, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer de 3% a 3,5%. Já o dólar, se houver por parte do governo um controle da dívida pública, deverá ficar entre R$ 4,50 e R$ 5. “Já o IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado), que é muito afetado pelo câmbio, deve se normalizar em 2021”, afirmou Scardoelli.

A retomada da demanda por aço no terceiro trimestre não afetou as entregas, segundo a Gerdau. Werneck ressaltou que, apesar de ter ajustado a produção no auge da crise em março e abril, a siderúrgica retomou rapidamente as operações para atender integralmente a demanda que se aproximava.

“Na segunda quinzena de abril tivemos que parar algumas operações, mas recuperamos rapidamente quando percebemos a volta do mercado. O nosso alto-forno de Ouro Branco (MG) foi religado em junho”, disse o executivo, acrescentando que com as medidas a companhia conseguiu atender “integralmente” aos seus clientes.

Além da manutenção do ritmo da demanda em 2021, outro fator que pode melhorar as vendas de aço no país é a recomposição de estoques. Segundo Werneck, o giro na cadeia produtiva está abaixo do normal, que é de 25 a 30 dias. Atualmente o aço armazenado representa de 10 a 15 dias de consumo.

“Haverá nos próximos meses o movimento de recomposição dos estoques na cadeia. Essa situação deve se normalizar até o primeiro trimestre do próximo ano”, disse Werneck.

Ontem, a companhia reportou o seu balanço financeiro relativo ao terceiro trimestre deste ano. No período, o lucro líquido cresceu 175%, para R$ 795 milhões, comparado a R$ 289 milhões no mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 1,33 bilhão, alta de 19%.

Segundo a companhia, o bom desempenho pode ser explicado pela depreciação do real, de 36%, nos últimos doze meses, “com impacto positivo especialmente pela conversão das receitas das nossas operações na América do Norte”, informou a Gerdau.

A receita líquida da siderúrgica cresceu 23% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 12,22 bilhões. No acumulado do ano, a receita líquida da Gerdau caiu 7%, passando de R$ 9,5 bilhões para R$ 8,82 bilhões.

Segundo a companhia, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 68% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2019. O indicador chegou a R$ 2 bilhões. No acumulado até setembro, o Ebitda chegou a R$ 4,44 bilhões, uma evolução de 7%.

A produção de aço no terceiro trimestre aumentou 17% no comparativo com o mesmo período do ano passado, segundo a Gerdau. Foram produzidas 3,2 milhões de toneladas ante 2,73 milhões de toneladas em 2019. Já no acumulado do ano, a siderúrgica produziu 8,82 milhões de toneladas, o que representou um recuo de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a Gerdau, o aumento da produção ocorreu em razão da retomada das atividades nos diferentes países que a companhia atua. “Importante salientar que no segundo trimestre houve paradas em algumas unidades industriais devido aos impactos da pandemia da covid-19”, informou a Gerdau.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ana Paula Machado - São Paulo, 29/10/2020