O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve forte queda no trimestre terminado em outubro, influenciado por avaliações mais negativas quanto ao presente e por uma deterioração nas expectativas.
O indicador teve queda de 14,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. No trimestre encerrado em setembro, foi registrado recuo de 12,3% e, em agosto, de 9,9%. Tomando-se apenas o mês de outubro o recuo foi ainda maior, de 19,9%.
"Os empresários da construção estão apontando a demanda insuficiente como o principal fator de limitação à melhoria da atividade setorial. A demanda está fraca tanto nos segmentos que dependem das decisões privadas quanto nos segmentos de infraestrutura. Assim, o ciclo de obras que se encerra não tem perspectiva imediata de retomada", destacou, em nota, Ana Maria Castelo, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.
A piora da confiança decorreu tanto da percepção em relação à situação atual dos negócios quanto das perspectivas para os próximos meses. Em bases trimestrais, a variação do Índice da Situação Atual (ISA) passou de -9,7% no trimestre encerrado em setembro, para -12,9%, em outubro. Em termos mensais, o índice também apresentou forte queda ao variar de -15,1% em setembro, para -18,6% em outubro.
O Índice de Expectativas (IE) seguiu a mesma tendência ao variar -16,5% no trimestre terminado em outubro depois de registrar -14,5% em setembro. Na base mensal, a variação passou de -16,8% em setembro, para -21,0% em outubro.
Dos 11 segmentos pesquisados, nove apresentaram piora da confiança. Os destaques negativos foram, principalmente, do setor de infraestrutura: obras para telecomunicações, cuja taxa passou de 9,3% em setembro, para -10,7% em outubro; obras para geração e distribuição de energia elétrica, de -7,5% para -15,4%; e obras viárias, de -13,2% para -20,4%.
Das 700 empresas consultadas, 19,3% avaliaram a situação atual como boa no trimestre encerrado em outubro de 2014, contra 26,5% em igual período de 2013. A situação foi avaliada como ruim (contra 17,0% há um ano) por 23,8% das empresas. A proporção de empresas prevendo melhora do ambiente de negócios no período foi de 25%, contra 37,8% há um ano, enquanto a parcela das que preveem piora foi de 15,8%, contra 5,6%.
Fonte: Valor, 29/10/2014

