O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, voltou a dizer ontem que o setor rejeita a recriação da taxação sobre transações financeiras, a CPMF. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem insistido na aprovação pelo Congresso da contribuição como medida urgente para reequilibrar as contas da União.

"A CNI e as federações são completamente contra a recriação da CPMF, porque ela não resolve os problemas do país", disse Andrade aos jornalistas, durante a abertura de um evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.

"A sociedade brasileira hoje contribui com mais de 40% com tudo o que nós produzimos para cobrir os problemas que o governo tem com o Orçamento." Segundo Andrade, o governo precisa fazer cortes e reformas. Em relação às pressões feitas por oposição para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da CNI afirmou que "a solução da crise econômica passa por uma solução da crise política e não estamos vendo no meio político uma liderança, seja da situação ou da  posição, com capacidade de apresentar para a sociedade brasileira o projeto de um novo Brasil".

Andrade lamentou a participação da indústria no PIB e disse que este ano a fatia do setor deverá ser de 9,5%, ante 13% de anos anteriores. A valorização do câmbio que, de modo geral, ajuda a indústria veio tarde, disse ele e ainda gera incertezas entre empresários. O presidente da CNI participou da apresentação do estudo " Projeto Sudeste Competitivo",  elaborado pelas entidades da indústria da região Sudeste com sugestões de quase cem obras de infraestrutura.


Fonte: Valor - Brasil, por Marcos de Moura e Souza, 27/10/2015