A produtividade do trabalho das pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil, que empregam o grosso da mão de obra no país, é menor do que a de países como a Argentina, de acordo com o Centro de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês), vinculado à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Uma das conclusões do relatório "SME Competitiveness Outlook" é que os trabalhadores das pequenas e médias empresas brasileiras, menos qualificados e com salários menores, atingem somente cerca de 30% da produtividade registrada nas grandes companhias do país. Na Argentina, a relação é de 40% na Argentina. Na Europa, de 70%.
No geral, a produtividade das pequenas empresas na América Latina é apenas 16% a 36% do registrado nas grandes empresas. Na Europa, ela fica entre 63% e 75%. No entanto, o estudo aponta "forte desempenho empreendedor" entre PMEs na América Latina, superando o desempenho de asiáticos e de outras regiões. Sua posição, porém, no mercado global é frequentemente minada pela fragilidade do ambiente de negócios local, o que pode incluir desde incertezas políticas, corrupção, enorme burocracia, poucos resultados concretos na ação para qualificar empregados etc.
Para Aracha Gonzalez, diretora do ITC, como na maioria das economias as pequenas e médias empresas empregam o maior numero de trabalhadores, reduzir o "gap" da produtividade teria pelo menos dois efeitos diretos: aumentar a contribuição para o PIB e elevar salários, melhorando a distribuição de renda. Poderia assim, segundo ela, alterar a estrutura da demanda interna e expandir o mercado para produtos de maior valor agregado. O ITC conclui que a competitividade das PMEs passa pela melhora do ambiente economico nacional.
Fonte: Valor - Brasil, por Assis Moreira, 19/10/2015

