A concessionária do aeroporto de Viracopos, em Campinas (no interior de São Paulo), começou na terça-feira a operação de voos comerciais em um dos píeres do novo terminal de passageiros. A abertura ocorre cinco meses depois do prazo contratual firmado com o governo. Pelo cronograma da empresa - controlada por Triunfo Participações e Investimentos, UTC e Egis -, outras áreas do empreendimento continuarão em obras até dezembro. A transferência de todos os voos vai durar até março de 2015, quando o antigo terminal será desativado.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o prazo para a conclusão dos investimentos era 11 de maio. Por causa do descumprimento, a Anac notificou a concessionária em julho, informando-a sobre a intenção de multá-la. O valor pode chegar a R$ 170 milhões mais R$ 1,7 milhão por dia de atraso (em relação a este último item, a Anac já decidiu que a multa será proporcional ao que não foi entregue). De qualquer forma, membros do governo têm defendido uma multa pesada em Viracopos para proteger a imagem do modelo de concessões de aeroportos. Mas a concessionária tenta limitar a penalidade.
A Aeroportos Brasil Viracopos já enviou sua defesa à Anac, com mais de 600 páginas, e menciona como justificativa principalmente as mudanças no projeto a pedidos do poder público (como da Polícia Federal, da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que acarretaram aumento de 27% na área que seria construída).
"Na média internacional, um aeroporto como o nosso levaria quatro anos para ser construído. Fizemos em dois", diz Luiz Alberto Küster, presidente da Aeroportos Brasil Viracopos. Para ele, sua obra é mais complexa que a de outros empreendimentos concedidos na mesma época e que inauguraram as novas instalações (embora alguns itens do contrato sejam alvos de análise da Anac). "Não estamos fazendo somente píeres novos ou um novo terminal. É um aeroporto completamente novo", diz.
Grande parte da grandiosidade das obras em Viracopos foi uma preferência da própria concessionária, que solicitou à Anac na etapa de elaboração de projetos a construção de um aeroporto maior, para 25 milhões de passageiros ao ano (o mínimo era 14 milhões). "Entramos em uma pressão muito forte desde o início das obras. Tive de puxar quatro mil caminhões de terra. Achamos que ia dar certo, mas deu cinco meses de atraso", resume.
Mesmo considerando o atraso, Küster acredita que a decisão pelo tamanho da obra foi acertada. "O mercado de Campinas e região tem muito potencial, porque existe uma demanda reprimida de gente que vai se animar para viajar por Viracopos. Também há [funcionários de] indústrias e outras empresas europeias e americanas que vão voar por aqui. Além disso, há o potencial dos passageiros da aviação regional", diz, se referindo ao programa em formulação pelo governo federal de subsídios a voos que saiam de ou cheguem a aeroportos com até 1 milhão de passageiros por ano. Ele cita levantamentos que indicam que Viracopos terá 20 milhões de passageiros ao ano em 2020 - mais que o dobro do registrado atualmente. "Viracopos já começou um crescimento sem retorno. Acreditamos que nosso aeroporto é um sucesso."
Küster lembra ainda que o novo terminal operou parcialmente durante a Copa do Mundo. Sete seleções do Mundial, além de aviões executivos, usaram o aeroporto. "Viracopos foi essencial para a Copa para que nosso país não passasse vergonha. Precisei ter finger, pátio, pista, táxi, área de embarque e desembarque, de Polícia Federal... operamos tudo isso e fomos extremamente elogiados. É um desastre? Não, acreditamos que nosso aeroporto é um sucesso", defende.
Inicialmente, o novo terminal de Viracopos vai operar cinco voos nacionais da Azul Linhas Aéreas, sendo quatro de partida e um de chegada.
Fonte: Valor, por Fábio Pupo, 17/10/2014

