O choque positivo dos preços dos alimentos derrubou a inflação das famílias de baixa renda para mínimas históricas em setembro, conforme índices divulgados pelo IBGE e pela Fundação Getulio Vargas na sexta-feira. Economistas antecipam, porém, que os alimentos devem passar a pressionar a inflação a partir deste mês.
No mês passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pela IBGE, registrou queda de 0,02%, segunda deflação consecutiva. Com isso, o índice acumulado em 12 meses recuou para 1,63%, menor taxa desde o início do Plano Real.
Já o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) de setembro, medido pela FGV, recuou 0,25% no mês, aprofundando a deflação apurada no mês anterior (-0,13%). Em 12 meses, o índice tem alta de 1,89%, menor patamar desde o fim de 2006.
Enquanto o INPC mede a variação de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de um a cinco salários mínimos, o IPC-C1 acompanha a cesta de famílias com renda de um a 2,5 salários mínimos. Em ambos, os alimentos têm o maior peso no orçamento.
Segundo Márcio Milan, economista da Tendências Consultoria, os alimentos consumidos dentro de casa devem apresentar pequeno aumento em outubro, de 0,12%. Neste caso, o economista projeta a variação para o IPCA, inflação oficial do país.
"Vamos ver deflações cada vez menores dos alimentos e possivelmente taxas positivas até o fim do ano. É a saída da supersafra, que gerou a grande oferta e jogou os preços para baixo", disse Milan, apontado itens in natura e farinhas entre os candidatos para o aumento de preços.
O INPC de setembro mostra que a deflação dos alimentos consumidos em casa (-0,87%) já foi menos intensa do que a apurada no mês anterior (-1,82%). Houve mudança de direção nos preços de frutas (de -2,22% em agosto para 0,83% em setembro) e carnes (de -1,57% para 1,27), por exemplo.
André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, diz que a pressão dos alimentos em outubro será de curto prazo, efeito da sazonalidade normal dos alimentos in natura e não significa o fim dos preços alimentícios mais comportados frente aos anos anteriores.
"A alta de preços esperada para o fim do ano tem a ver com a sazonalidade e não com uma pressão climática. É normal, principalmente os in natura, subirem o fim do ano", acrescentou o economista do Ibre/FGV.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Bruno Villas Bôas e Rafael Rosas, 09/10/2017

