O Brasil e Turquia são os dois países emergentes onde o desemprego de jovens mais vem crescendo, sendo especialmente vulneráveis à crise economica, aponta a Organização Internacional do Trabalho (OIT) num levantamento entre 43 grandes economias.
A taxa de desempregados com idade entre 15 e 24 anos no Brasil chega a 26,6%, quase o dobro do que mostram as estatísticas do governo, calcula a entidade em relatório sobre as tendências mundiais do desemprego de jovens.
A desocupação entre os jovens no Brasil passou de 13,8% em 2014 para 15,8% no primeiro semestre, numa alta de 2 pontos percentuais, segundo dados oficiais. A Turquia fez pior, com a taxa subindo 2,1 pontos percentuais e atingido 18,5%. Na Coreia do Sul, subiu 1,5 ponto percentual para 12,4%.
A autora do relatório, Sara Elder, usou também pesquisas feitas com apoio da OIT para entender a magnitude da desocupação e dificuldades entre os jovens no Brasil. Numa definição estrita, levando em conta por exemplo o chamado desemprego oculto pelo trabalho precário, chega à taxa de 17,9%.
A pesquisadora vai além e julga que uma imagem mais verdadeira do problema vem quando se leva em conta o desemprego pelo desalento, incluindo gente que desistiu de procurar vaga de trabalho ou simplesmente não quis ainda tentar entrar no mercado. Nesse caso, a taxa no Brasil pula para 26,6%. "Essa é a verdadeira cifra que se deve olhar no Brasil.
O desemprego vai crescer no país", diz ela. Essa situação tem impacto na América Latina em geral, onde a desocupação entre os jovens é três vezes maior que entre os adultos. Para a OIT, o retrocesso é evidente no Brasil. Cresce o trabalho informal e precário, com salário menor e sem proteção social, após anos de aproximação com a classe média. Na América Latina, a parte dos que estão empregados, entre os pobres caiu de 44,7% em 1993 para 22,4% em 2013.
Na classe média, subiu de 55,3% para 77,6%. A constatação da OIT é que decididamente está mais difícil para os jovens conseguirem uma ocupação, mesmo bem qualificados. "Há muitos universitários no Brasil, China e outros emergentes que simplesmente não conseguem trabalho", diz Azita Berar Awad, diretora do Departamento de Politicas do Emprego da OIT. As taxas de desemprego só não são maiores porque muita gente prefere continuar estudando, na ausência de trabalho.
Enquanto desemprego se acelera entre jovens no Brasil, está diminuindo em boa parte do resto do mundo. Globalmente, a taxa se estabilizou em 13%. O numero de jovens sem emprego é de 73,3 milhões, ou 3,3 milhões a menos do que no apogeu da crise financeira em 2009. Entre os adultos, 201,6 milhões estão desempregados.
Fonte: Valor - Brasil, por Assis Moreira, 09/10/2015

