A Cymi, empresa do setor elétrico que fez sua estreia em saneamento básico, planeja dar novos passos no mercado de água e esgoto, afirma Leandro Reis, diretor de saneamento da companhia.

O grupo acaba de assumir oficialmente a operação de 27 municípios em Alagoas, em parceria com a Aviva. O contrato prevê R$ 1 bilhão de investimentos para universalizar os serviços, em um prazo de até 11 anos.

“Este projeto em Alagoas é a semente para os próximos”, afirma o executivo. “Estamos avaliando outras possibilidades, concessões, PPPs e eventuais privatizações que surgirem no setor de saneamento. Não há um perfil pré-definido. Buscamos vetores de risco aceitáveis, segurança jurídica e viabilidade no médio e longo prazo”, diz ele.

Entre os ativos analisados pela empresa está a privatização da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) - que, no entanto, ainda não tem data para o leilão e tem sofrido com as incertezas eleitorais. “ É um projeto a ser considerado”, afirma.

A Cymi, que até o fim de 2021 era parte da empresa espanhol a ACS, foi incorporada neste ano ao grupo francês Vinci, após uma operação de venda em âmbito global. No Brasil, a companhia é conhecida por sua forte atuação no segmento de linhas de transmissão. Desde 2014, foram conquistados 11 concessões no setor, entre leilões e aquisições, que, juntos, somaram R$ 16 bilhões em investimentos (parte deles feitos com sócios).

A empresa passou a estudar seu ingresso no setor de saneamento básico a partir de 2020, com a aprovação da nova lei do setor e da estruturação de grandes projetos pelo BNDES.

Reis explica que o modelo de negócios para saneamento será diferente daquele usado no negócio de energia. Nas linhas de transmissão, a Cymi atua como desenvolvedora do empreendimento, com um braço de engenharia e construção. Já em água e esgoto, o foco será na operação em si “Não quer dizer que a empresa não possa a ter futuramente uma atuação em engenharia e ter isso como diferencial”, diz.

Segundo o executivo, ainda não há uma definição sobre a criação de uma plataforma de saneamento no país, e tampouco há uma meta de crescimento. Os contratos serão analisados caso a caso, diz ele. “A ideia é que o negócio de saneamento tenha vida própria. Estamos começando por Alagoas, somos muito disciplinados e, no momento certo, possivelmente em conjunto com sócios, podemos ter uma holding, mas não temos nada pré-definido quanto a isso”, afirma Reis.

O contrato de Alagoas foi conquistado em leilão no fim do ano passado, com uma oferta de R$ 430 milhões de outorga pelo ativo. O contrato foi firmado no início de março. Após um período de transição, com operação assistida, o grupo assumiu oficialmente a gestão dos 27 municípios em outubro, afirma Alexandre Lopes, presidente da concessionária Verde Alagoas.

O plano para ampliar o retorno financeiro do contrato passa por uma combinação de fatores, segundo ele. “São muitas as variáveis avaliadas para fazer a oferta no leilão. Prevemos um ganho na projeção das receitas e uma otimização em relação a custeio. Também estamos bem seguros em relação aos investimentos. Há algumas simulações em que seria possível antecipar a implantação de esgotamento sanitário, não muito, mas é possível. Essas variáveis trazem impacto no retorno do projeto, isso tudo foi considerado”, diz Lopes.

Em relação ao financiamento, o plano é acessar bancos públicos, como BNDES e Banco do Nordeste, e buscar algum complemento através de debêntures de infraestrutura, afirma Reis.

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Taís Hirata — De São Paulo, 07/10/2022